Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/09/2019
“Stop. A vida parou ou foi o automóvel?”; disse o poeta Drummond no início do século XX. Com isso, ele se contrapôs à sociedade da época empolgada com as promessas de progresso e aceleração trazidas pelo automóvel. Paralelamente a isso, urge na pós-modernidade um redirecionamento a respeito das políticas de investimento em transportes no Brasil. Posto que, não apenas existiu uma priorização do modal rodoviário, ao longo da história, como também a saturação de veículos individuais, nas cidades, virou um empecilho para o pleno deslocamento dos cidadãos em seu ambiente de interação sociocultural.
À princípio, no decorrer das décadas, houve uma preferência dos incentivos governamentais em torno das construções de rodovias atrelado ao apoio massivo à entrada, no país, de indústrias automobilísticas nos anos 50, principalmente, pelo presidente Juscelino Kubitschek. Dessa forma, essa perspectiva nacional desenvolvimentista se enraizou na cultura pátria, o que perdura até os dias atuais, não obstante, possuir um carro, ainda, é símbolo de status e poder na sociedade.
Outrossim, embora a Constituição Cidadã promulgada em 1988 tenha garantido o transporte como um direito social fundamental, o cotidiano escancara justamente o oposto. Visto que, a maioria dos indivíduos estão reféns de automóveis particulares para se mover pelos espaços urbanos, restando como alternativa fazer uso de ônibus sucateados, com péssima manutenção, sujeitos à violência urbana, como assaltos. Desse modo, o cenário diário são de pessoas presas ‘sob quatro rodas’, por horas, em consequência dos engarrafamentos exaustivos nas vias públicas.
Torna-se necessário, portanto, o combate a essa desproporcionalidade entre os modais de deslocamento por meio de políticas de Estado. Para isso, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional destinar parte de seu orçamento na criação de projetos voltados a ampliação de linhas de metrôs e transportes públicos, em parceria com os pólos de pesquisas das Universidade Federais. Ademais, juntamente às Secretárias Estaduais que podem revitalizar avenidas para a colocação de novas ciclovias e ciclofaixas, bem como ofertar cursos gratuitos análogos ao de habilitação, porém sem restrição de idade e voltados a ensinar os cidadãos a pedalar com confiança e cientes das leis de trânsito.