Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/09/2019

No fim do século XVIII, Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista, relacionou pela primeira vez os conceitos de liberdade e mobilidade, defendendo o direito de ir e vir do ser humano. Hodiernamente, apesar de presente na Constituição o direito concebido por Rousseau, os obstáculos enfrentados pela mobilidade urbana nas cidades brasileiras são diversos, ameaçando a funcionalidade desse artigo. Nesse cenário, faz-se necessário discutir as origens políticas da problemática, que colaboram para consequências de aspectos físico, psicológico e sociais.

A princípio, observa-se que grande parcela dos entraves enfrentados pela mobilidade urbana advêm não de uma ausência de propostas de resolução, mas sim da não execução delas. Nesse contexto, a morosidade da execução de projetos efetivos pode se estender para além do mandato de um certo governante, que faz com que essas políticas se encontrem dependentes de uma continuidade de um posterior governo, o que nem sempre ocorre, resultando na paralisação de obras e implementações. Ademais, políticas públicas como o Inovar-auto, promulgada em 2012, que estimula a fabricação de automóveis, colaboram de forma negativa para a problemática da mobilidade, contribuindo para uma inflação cada vez maior do trânsito brasileiro.

Outrossim, cabe pontuar que essa deficiência na execução de projetos para a mobilidade desencadeia uma vasta gama de implicações. A priori, numa sociedade onde 85% da população é urbana, o grande número de veículos nas cidades, por vezes, geram os engarrafamentos, os quais colaboram em profusão para a poluição ambiental devido a emissão de gases do efeito estufa. Além disso, em um mundo globalizado, onde o tempo é supervalorizado e dita as relações sociais, a sua perda durante um congestionamento implica em doenças psicológicas como a ansiedade, contribuindo para uma queda na qualidade de vida e até mesmo para um aumento nas taxas de violência no trânsito

É evidente, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para a resolução da problemática da mobilidade urbana no Brasil. Nesse contexto, cabe ao Estado o investimento em transportes coletivos de qualidade como ônibus e metrôs, fazendo com que a diferentes modalidades se complementem, conferindo à cidade um caráter orgânico, onde os diferentes tipos de transporte correlacionam-se de forma harmoniosa, visando, assim, a diminuição da poluição e o aumento da fluidez do trânsito brasileiro. Ademais, cabe ainda ao Estado ser efetivo na execução de políticas públicas atinentes à mobilidade urbana, por meio do estabelecimento de um prazo mínimo para o término de obras, a fim de promover maior celeridade para as propostas e, consequentemente, acelerar o desenvolvimento das cidades.