Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/09/2019

Em 1950, o então presidente Juscelino Kubitschek, promoveu a implementação do Modelo Rodoviário com a construção e ampliamento das rodovias. No entanto, no panorama contemporâneo, a locomoção brasileira encontra obstáculos advindos, principalmente, do mal planejamento socioespacial e imobilidade governamental. Diante disso,  analisar esse cenário é fundamental para desconstruir essa realidade.

Em primeiro plano, é importante destacar os problemas advindos da Industrialização Brasileira. Sob essa premissa, o êxodo rural em busca de melhores condições de vida, no século XX,  promoveu o crescimento desenfreado das cidades sem organização prévia, gerando o atual caos na mobilidade brasileira. Fato comprobatório é que, segundo dados do Observatório das Metrópoles, de 2002 à 2012, enquanto a população crescia em 12% o número de veículos registrou um aumento de 138%. Sob essa ótica, o crescimento desproporcional entre automóveis e espaço urbano proporciona longos congestionamentos em horários de pico, fazendo com que muitos brasileiros fiquem até 45 dias do ano preso no trânsito, segundo o jornal O Globo, reiterando a diminuição da qualidade de vida proporcionada pela má mobilidade urbana.

Outrossim, vale ressaltar a inércia governamental para lidar com essa problemática. Sob essa perspectiva, apesar de o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), lançado pelo governo, -designado a investir em diversas esferas sociais, dentre elas à de transporte-, devido a problemas como má distribuição de verbas, a demora e a pouca fiscalização de obras, pouco se vê melhorias na infraestrutura urbana. Tal situação, além de acarretar o impasse da imobilidade urbana, contribui ainda para intensificação de impactos ambientais, como o efeito estufa e a chuva ácida, decorrentes do aumento da poluição atmosférica causada, principalmente, por veículos movidos por derivados de petróleo. Tal conjuntura, evidencia a necessidade de ações mais efetivas do governo.

Entende-se, portanto, que modificar o panorama da problemática é imprescindível. Para tanto, urge que o Ministério do Transporte planeje e execute projetos viáveis para diversificação dos modais de mobilidade, investindo em transportes públicos, aumentando a frota e o conforto, além de ampliar as ciclovias, a fim de possibilitar a locomoção das pessoa. Ademais, cabe a mídia orientar a população a adotar medidas que diminuam o número de automóveis particulares nas ruas, assim será possível minimizar o engarrafamento e o tempo gasto no trânsito. Dessa forma, além de facilitar a locomoção dos brasileiros, será possível preservar o meio ambiente.