Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 25/08/2019
Na década de 1950, com a política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, houve a intensificação do rodoviarismo, com a construção de rodovias federais e estaduais, a fim de interligar as cidades brasileiras e facilitar o fluxo de pessoas. Contudo, passado mais de meio século, é fato que a problemática envolvendo a locomoção dos cidadãos ainda está longe de ter um desfecho. Nesse contexto, o debate acerca dos desafios da mobilidade urbana no Brasil tem se tornado cada vez mais pertinente, e isso se evidencia não só pelos constantes engarrafamentos, como também pela ineficácia do transporte público.
É importante atentar-se, em primeira análise, ao crescente índice de congestionamentos automobilísticos em nosso país. Segundo dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), o Brasil se aproxima da marca de 100 milhões de veículos, o que representa um aumento de quase 100% em um período de apenas 15 anos. Sob esse ponto de vista, o crescimento acelerado do número de automóveis em consonância com as limitações da malha rodoviária brasileira, que não acompanhou as demandas de ampliação dos últimos anos, reflete no atual cenário nacional, no qual as pessoas perdem cada vez mais tempo do dia em engarrafamentos, em São Paulo, por exemplo, a média que os cidadãos ficam presos no trânsito todos os dias é de quase 3 horas. Por conseguinte, é evidente a necessidade de desenvolver e expandir as rodovias brasileiras.
Sincronicamente, em segunda análise, é notória precariedade do transporte público no Brasil. Em conformidade com os pensamentos de Émile Durkheim, sociólogo francês, a estabilidade social somente é alcançada quando as instituições sociais cumprem os seus papéis. Nesse sentido, o Estado brasileiro, ao não assegurar um sistema de deslocamento público eficiente, seguro e acessível, fere essa harmonia social, o que contribui ainda mais para o congestionamento do trânsito, haja vista que, em virtude dessa debilidade, a população acaba optando pelos meios de locomoção convencionais, como os carros, que aproveitam o espaço urbano de forma muito mais ineficaz do que os coletivos. Diante dessa conjuntura, é indubitável a importância de aprimorar o transporte público brasileiro.
Em suma, é mister que providências sejam tomadas para amenizar o quadro hodierno. Com o objetivo de diminuir os engarrafamentos no Brasil, urge que o Ministério da Infraestrutura promova, por meio de verbas governamentais, expansões nas principais rodovias nacionais, como a ampliação no número de faixas, a fim de atender a atual frota de veículos brasileira. Somente assim, será possível garantir a fluidez da mobilidade urbana, por meio do fortalecimento de políticas rodoviárias, como a empregada por Juscelino Kubitschek, e, desse modo, certificar o bem-estar social da população.