Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/08/2019
Tentativa de fuga em meio à distopia brasileira
Poluição sonora. Alta mortandade nas rodovias. Trânsito interditado. Estradas em péssimo estado. Pouca diversidade de modais de transporte. Esse conjunto de problemáticas representa a realidade da mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, o incentivo demasiado ao automobilismo e a falta de primazia em planejamento urbano corroboram para a manutenção dessa distopia brasileira.
A priori, historicamente, o país concentrou investimentos em rodovias. A era Juscelino Kubitschek, nesse contexto, foi decisiva para a pavimentação e o incentivo ao automobilismo, necessários em sua época. Entretanto, os governos seguintes não diversificaram os modais, o que permitiu a concentração de pessoas em apenas um. Para ilustrar isso, de acordo com o Banco Mundial, aproximadamente 58% do transporte no país é feito por meio de rodoviárias. Assim, sem o investimento em outros modais o Brasil mantém-se atrasado em comparação aos demais países.
Outra problemática importante é a não priorização de reformas no espaço urbano. Sob esse viés, o êxodo rural provocado pelas revoluções industrial e verde permitiu o inchaço urbano. As grandes cidades, por sua vez, iniciaram um crescimento rápido de forma que as atividades de lazer e trabalho, por exemplo, concentrassem-se no centro em detrimento da periferia. Por essa lógica, o urbanista Flávio Fishman afirma a importância da aproximação entre empresas e moradores da periferia como forma de melhorar o vai e vem nas grandes cidades. Dessa forma, as cidades tem perpetuado a desigualdade e dificultado a mobilidade.
Portanto, o incentivo exacerbado a rodovias e a ausência de políticas urbanas prejudicam o trânsito brasileiro. Sob essa ótica, é necessário que o Superministério do Desenvolvimento Regional, em parceria com o Departamento Nacional de Trânsito e os municípios, realize mudanças estruturais nas cidades. O primeiro passo, nessa lógica, é incentivar outros modais de transportes como ciclovias, ferrovias e hidrovias, tendo em vista as necessidades de cada região, para diminuir a concentração de pessoas no modal rodoviário. Além disso, é imprescindível a realização de incentivos fiscais para atrair empresas à periferia do meio urbano, o que diminuiria a locomoção para o centro. Somente assim é possível transformar essa distopia em um passado remoto.