Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 06/08/2019
O ir e vir dos brasileiros virou um problema nos últimos anos, prejudicando a qualidade de vida principalmente dos metropolitanos. Contrariando a Constituição Federal, que tem como uma de suas garantias fundamentais o direito da mobilidade, integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e pela falta de investimento e acessibilidade nos transportes públicos.
Em primeiro lugar, a herança histórica rodoviarista do Brasil parece ser responsável pelo problema. Houve, principalmente após a década de 1950, no governo de Juscelino Kubistchek, consagrado pela frase “governar é abrir estradas”, um acúmulo de investimentos no transporte rodoviário, sendo que outras formas de locomoção acabaram deixadas de lado. Como resultado, obteve-se uma explosão no uso de automóveis indivíduais, o que afetou a qualidade de vida nas metrópoles.
Além disso, a inexistência de uma política clara e contínua de transporte público levou a um serviço caro e de baixa qualidade, intensificando o problema. De acordo com uma pesquisa divulgada durante o Seminário Nacional Transpúblico de 2017, cerca de 12% dos brasileiros considera o transporte público um problema. Um dos principais motivos para essa insatisfação é a falta de estrutura dos grandes centros urbanos. Já que as cidades são construídas sem nenhum planejamento prévio, a rede de transporte não atinge todos os pontos periféricos desses locais.
Por outro lado, os serviços de tráfego também são excludentes. A dificuldade de locomoção dos portadores de necessidades especiais, por exemplo, mantém relação íntima com a acessibilidade, que, por sua vez está diretamente ligada à mobilidade urbana. Na cidade de São Carlos, segundo um levantamento realizado em 2004, apenas 20% da frota de ônibus era adaptada para cadeirantes. Dessa forma, fica claro que essa insuficiência afeta a população como um todo em vários níveis.
Portanto, é imprescindível que as concessionárias de transporte público melhorem a qualidade de seu serviço. Para isso, é essencial que o Governo aplique as verbas destinadas aos transportes na sua manutenção e acessibilidade e invista em projetos de mobilidade urbana e obras nas cidades, garantindo assim uma reestruturação e adaptação dos meios e demais vias de locomoção. Cabe à sociedade ficar atenta ao que é seu por direito e não esquecer o que as “Manifestações dos 20 centavos” representaram, reivindicando perante as autoridades responsáveis justiça nas taxas e prestações desses serviços, fazendo valer o que está escrito na Constituição.