Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 28/07/2019
Com a implementação do “Plano de Metas”, o então presidente da república JK (1956-61), o Brasil passou a priorizar e investir no transporte rodoviário como modelo de desenvolvimento – assim, o carro passou a ser o protagonista e o símbolo da modernidade. Entretanto, atrelado a essa visão “moderna” e a expansão urbana, a mobilidade urbana brasileira configura-se como um grande problema e desafio. Dessa forma, torna-se extremamente urgente uma análise: da ineficiência de políticas governamentais, bem como de um novo modelo de mobilidade urbana.
Em primeira análise, a Constituição cidadã de 1988 garante o transporte e mobilidade urbana, contudo não é o que se constata na quase totalidade das cidades brasileiras. Prova dessa ineficiência do Poder Executivo é o fato de que – apenas 6% das cidades brasileiras terem um plano concreto e eficiente de mobilidade urbana – segundo o Ministério das Cidades, tendo assim como reflexos urbano-sociais: congestionamentos diários; transportes em péssimas condições de conservação; frota pífia em relação ao fluxo de usuários, etc. Para além do trânsito, os desafios e impactos negativos na qualidade de vida nas grandes cidades tornaram-se nefastos e notórios.
Diante do exposto, investir em transporte de massa torna-se extremamente crucial, a fim de contornar os desafios da mobilidade urbana. Consoante, o arquiteto e urbanista Jaimer Lerner advoga que – dado à complexa dinâmica urbano-social das cidades, os investimentos e planejamentos em mobilidade urbana que priorizem pelo transporte coletivo como novo modelo, tornam-se fundamentalmente necessários. Tal qual, investir em: metrô, trem, ônibus, VLT, BRT, etc., como também buscar integrá-los, a exemplo de Londres, Moscou, Japão e Alemanha.
Portanto, cabe ao Governo juntos aos governos estaduais e municipais criarem um projeto de mobilidade urbana – considerando seus efeitos a curto e longo prazo – de modo que, dentro da dinâmica urbano-social de cada espaço, possam investir em transporte público, com enfoque no transporte de massa e ciclovias, tanto por meio de medidas fiscais, como projetos de construção de obras – a fim de que, ao contrário do que fora preconizado por JK, o transporte coletivo passe a ser o novo protagonista e símbolo da modernidade.