Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/07/2019

Apenas teoria

À mercê do cenário desenvolvimentista do século XVIII, o movimento iluminista teorizou, como um dos seus maiores legados, a necessidade da preservação do bem estar social e coletivo face aos avanços técnicos. No entanto, o atual contexto brasileiro, marcado pela instabilidade no ramo da mobilidade urbana, demonstra a fragilidade da dupla sociedade civil e poder público em ministrar, de forma eficaz, o transporte de milhões de conterrâneos diariamente – pondo em xeque premissas do século das luzes. É preciso, logo, a adoção de um olhar maior de enfrentamento à causa.

A princípio, as defasagens acarretadas pela ineficaz mobilidade urbana no território brasileiro podem ser analisadas sob a ótica de Platão. Para o pensador, em sua tese ‘’o mito da caverna’’, os indivíduos estariam fadados à negligência de propor e efetuar alternativas, que culminem em mudanças em seu meio social. Dessa forma, a analogia explicita que o caos urbano, evidenciado por superlotações em transportes e trânsito, pode ser resultado da indiferença do poder público em ministrar tal aparato. Verifica-se, assim, a necessidade de mudanças nesse panorama.

Por conseguinte, além do âmbito coletivo, a má circulação humana nas cidades auxilia na propagação de injúrias pessoais. Isso corre na medida em que, segundo a ótica biomolecular, a intensiva propagação de veículos nas estradas e rodovias de cidades proporciona a emissão de gases poluentes  – principalmente dióxido de carbono e metano – que torna os indivíduos mais vulneráveis a aderir doenças e intoxicações respiratórias. Dessa forma, é paradoxal que, mesmo sob uma pertinente influência do Ministério da Saúde, o maior país da América Latina ainda seja fragilizado em relação a`políticas públicas de cunho preventivo.

Impende, pois, que seja criado e intensificado mecanismos, que corroborem à minimização dos impactos negativos perpetuados pelo enigma urbano vigorante no espaço brasileiro. Logo, torna-se essencial a participação da Organização Mundial da Saúde, para reafirmar, sobretudo, uma causa inerente à própria Carta Magna do país: a valorização da vida. Assim, compete a tal órgão incentivar, de maneira econômica e publicitária, a construção de ciclofaixas, a fim de promover, a curto prazo, a substituição de veículos munidos à queima de combustíveis fósseis por bicicletas e transportes de matriz ecológica. Por fim, essa medida contribuiria para a construção de um meio social mais harmônico e que, desse modo, faria jus às teorias propostas pelo Iluminismo.