Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 13/07/2019
Henry Ford, dono de uma empresa automobilística, dizia que todos poderiam ter um carro. Desse modo, tal pensamento se expandiu para sua linha de produção e com o passar dos anos, um veículo deixou de ser artigo de luxo e se transformou em um bem de consumo. Um século passado desde o fordismo, atualmente no Brasil, a grande quantidade de carros nas cidades gerou diversos desafios para a mobilidade urbana, como os congestionamentos, tal realidade foi ocasionada por decisões políticas com pouca estruturação, além do desejo da população pelo item forjado pelo marketing.
Nesse diapasão, conforme indica o historiador Heródoto devemos “pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”, sendo assim, para transformar o atual cenário da mobilidade urbana, é necessário entender os caminhos percorridos até ele. Destarte, gestões federais impulsionaram a compra de veículos no Brasil sem a infraestrutura necessária. Vale destacar que o presidente JK concedeu incentivos as montadoras internacionais e investiu em rodovias em detrimento de ferrovias. Ademais, o governo Lula reduziu o IPI dos veículos sem se atentar para a manutenção e quantidade de estradas. Portanto, percebe-se que as decisões políticas que visam apenas o curto prazo podem no futuro criar desafios sociais que parecem ser intransponíveis.
No mais, pode-se acrescentar o marketing insistente das automobilísticas para esse aumento desenfreado no número de veículos. Nessa conjuntura, as propagandas induzem as pessoas a verem o veículo como investimento indispensável, mesmo sendo um item que sofre depreciação ao longo do tempo. Assim, esse panorama somado a má qualidade dos transportes públicos fez com que muitos priorizassem a compra de um carro. Por conseguinte, aparentemente foi mais cômodo para o Estado focar no transporte individual do que investir em uma opção coletiva, no presente, essas alternativas são usadas pelos cidadãos com baixa renda, em sua maioria, ocasionando excesso de carros nas vias.
Dessa forma, os poderes do Executivo devem se unir para reverter o quadro. Consequentemente, os municípios necessitam construir bicicletários, ciclovias e também pressionar as empresas de transporte para garantir a melhora e aumento da frota, enquanto que os estados e a União podem reduzir os impostos para as bicicletas, além de iniciar uma campanha publicitária em veículos nacionais, como TV e rádio quanto à outras formas de se locomover. Essa política pública tem como finalidade convencer e criar condições para os cidadãos utilizarem outros tipos de transportes. Além disso, a União deve seguir a tendência mundial e investir em ferrovias para o escoamento da produção para assim, termos maior agilidade, menor custo e rodovias menos congestionadas.