Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/07/2019
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Essa frase do célebre educador Paulo Freire, reflete diretamente acerca da importância da educação para o ser humano. Contudo, percebe-se que o ensino de qualidade não vem sendo democratizado, visto que a educação indígena sofre diariamente, seja pela negligência estatal, seja pela baixa participação das comunidades indígenas. Nesse sentido, é fundamental encontrar soluções para minimizar o impasse.
Em primeiro lugar, ressalta-se que a negligência do Estado corrobora significativamente com a deficiente educação dos índios. Embora a Constituição Federal de 1988 garanta o ensino diferenciado, interdisciplinar e multilíngue aos povos indígenas, nota-se que esse direito não é cumprido na maioria das aldeias. Isso ocorre uma vez que há não só a falta de infraestrutura nas escolas, mas também por conta do pouco número de professores capacitados para lecionar. Dessa forma, milhares de indivíduos são prejudicados, acarretando tanto na ausência de oportunidades de emprego, por exemplo, quanto na inserção ao ensino superior, haja vista que de acordo com o Censo de 2016, das 8 milhões de matrículas nas universidades, somente 49.026 foram dos povos aborígenes.
Outrossim, é importante frisar que a pouca atuação das comunidades indígenas no que diz respeito a cobrar pelos direitos garantidos constitucionalmente, dificulta a isonomia do ensino eficiente. Conforme o inglês John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio das experiências. De modo similar, se desde cedo as tribos não se unirem e lutarem para que a Lei seja praticada, as crianças e os jovens vão crescer sem dar importância para o aprendizado escolar, o que atingirá diretamente na perpetuação dos conhecimentos histórico-culturais, bem como no aumento da exclusão desse povo.
Evidencia-se, portanto, que a educação indígena precisa ser valorizada. Nesse viés, cabe ao Poder Público, na figura do Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, melhorar a estrutura das escolas indígenas, além de ampliar a capacitação dos docentes, a exemplo de cursos extracurriculares, e a quantidade de concursos públicos bem remunerados ,com o objetivo de promover tanto qualidade de ensino quanto inclusão social. Ademais, as comunidades indígenas, em parceria com a FUNAI e a mídia, mediante a fiscalização, monitoramento, palestras nas aldeias e propagandas esclarecedoras, devem lutar para que os direitos garantidos pela Carta Magna sejam efetivados, com a finalidade de que todos sejam beneficiados.