Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/07/2019
Inegavelmente, uma das consequências deixada pela urbanização ,nos dias atuais, é o adensamento da mobilidade nos grandes centros urbanos.Segundo uma pesquisa feita pelo Observatório das Metrópoles ,enquanto a população brasileira aumentou 12,2% o número de veículos registrou um aumento de 138,6% ,entre os anos de 2002 e 2010.Diante disso, torna-se necessário analisar ,não só como a política ,mas também como a falta de infraestrutura contribuem para essa situação.
Com a execução do plano desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek ,pautado na construção de rodovias e na instalação de indústrias automobilísticas , implantou-se no país ,desde a década de 50, a cultura do carro próprio.Nesse sentido, essas medidas adotadas aliada a uma redução do IPI geraram uma valorização no consumo de veículos ,sendo ,hoje, responsáveis pelos seus elevados números nas ruas.Por analogia, os dados da Confederação Nacional dos Transportes revela que o Brasil possui 51,2 milhões de automóveis ,o equivalente a 1 carro para cada 4 pessoas.Como resultado, esse quadro vai intensificar os congestionamentos ,a poluição sonora e o tempo no trânsito.
Somado a isso, existe ,ainda, uma ineficiência dos transportes coletivos que reforça a precaridade da mobilidade urbana.Isso acontece ,porque muito deles ,infelizmente, apresentam problemas como :superlotação ,demora no deslocamento, poucas opções de linhas e mau estado de de conservação.Por sua vez, essas dificuldades acabam fazendo com que muitas pessoas prefiram as motos e os carros .Ademais, a falta de ciclovias ,de ciclofaixas e de uma estrutura que seja capaz de garantir a segurança de ciclistas ,de patinetistas e de skatitas contribui ,também, para a concentração de automóveis nas metrópoles , uma vez que acidentes com esses tipos de modais são frequentes.De acordo com a Fundação Procon-SP ,foram registrados 694 acidentes envolvendo bicicletas e patinetes nos primeiros cinco meses no estado de São Paulo.
Em suma, essa questão deve ser tratada com mais clareza no país.Para esse fim, é necessário que as prefeituras ,por meio da disponibilização de mais verbas, invistam em projetos urbanísticos mediante a ampliação de calçadas e construção de ciclofaixas ,para os transportes alternativos , com o intuito de atrair mais pessoas para esses locais e promover um descongestionamento..Além disso, os gerenciadores de mobilidade devem acrescentar mais linhas de ônibus, de acordo com a demanda de cada região ,afim de evitar a sua lotação e a demora no deslocamento.Ao fazer isso ,certamente, eles estarão incentivando a população usar os modais públicos. Outrossim , as prefeituras podem ,também , cobrar pedágio urbano ,dentro dos centros para carros particulares , com o objetivo de diminuir a sua circulação e diversificar as formas de locomoção.