Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/10/2018
É fato que, durante o governo do presidente Juscelino Kubitscheck, em vista o crescimento da industria automobilística no país, prezou-se pela adoção do modal rodoviário em detrimento aos demais. Hodiernamente, os efeitos maléficos dessa escolha reverberam nos atuais entraves da mobilidade urbana. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser negligenciados, a má gestão infraestrutural das cidades e a supervalorização dos automóveis individuais.
Em primeira análise, cabe pontuar que, em razão da urbanização tardia e desorganizada da maioria dos centros urbanos do Brasil, problemas estruturais e gerenciais comprometeram grandemente a locomoção dos cidadãos. Tal cenário é agravado pelo crescimento horizontal das cidades, somado à concentração de bens e serviços nos centros - o que proporciona, sobretudo nos horários de pico, um enorme fluxo de pessoas. Com efeito, a negligência estatal diante de um sistema de transporte público -marcado pela a desintegração entre os modais e o sucateamento -, parte da população não só sofre com a o alto tempo de deslocamento, como também a falta de qualidade nesse.
Outrossim, é importante destacar que a popularização dos automóveis particulares é um fator que corrobora, diretamente, a imobilidade urbana. Nesse ínterim, a posse do carro como uma forma de demonstração de certo status social leva muitos indivíduos a aderirem esse meio de transporte em oposição aos coletivos. Dessa maneira, essa falta de mentalidade social - que tem por consequência a demasiada circulação de veículos nas rodovias - além de gerar terríveis engarrafamentos, eleva as emissões gás carbônico - principal causador do efeito estufa. Sendo assim, é imprescindível que o Estado haja no sentido de diminuir o contingente de automotores circulantes, e as escolas trabalhem a temática em sala de aula.
Torna-se evidente, portanto, que o contornamento dos desafios da mobilidade urbana no Brasil perpassa por ações efetivas e investimentos, por parte do Estado, bem como a mudança de postura da sociedade civil. Destarte, é mister que o Ministério dos Transportes, mediante o engendramento de projetos e financiamento de obras nos municípios, promova uma expansão da malha metroviária, de tal forma que essa esteja integrada eficientemente aos outros modais de transporte, afim de agilizar o deslocamento no ambiente urbano. Ademais, o Estado, através dos veículos midiáticos e da internet, deve promover campanhas de incentivo à carona solidária, com o fito de reduzir o número de carros nas rodovias. Por fim, as instituições de ensino devem tratar da questão da postura cidadã dentro do contexto caótico da mobilidade urbana no país, por meio de palestras ministradas por urbanistas, com objetivo de esclarecer como cada um pode agir para melhorar a situação.