Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 17/10/2018

Como se sabe, o Brasil é um Estado Democrático, e portanto, está teoricamente consonante com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, que assegura a todos indivíduos o direito à locomoção. Contudo, a gestão ineficiente dos recursos de mobilidade urbana não permite que os brasileiros usufruam dessa prerrogativa internacional e acaba por tornar seu trânsito um infortúnio de ordem social.

Em primeiro plano, é essencial salientar que o caos urbano, nos deslocamentos, em grandes cidades, tem sua origem no Governo de Juscelino Kubitschek, que deu preferência ao modelo rodoviário em detrimento dos transportes públicos de massa. Com isso, criou-se um paradigma que acentua as distinções sociais, atrasa o fluxo comercial e beneficia apenas os detentores de grande poder econômico.

Além disso, é perceptível que a atuação da Indústria Cultural, conceito preconizado pelos sociólogos Adorno e Horkheimer, tem sido crucial para uniformizar o carro como único meio de transporte desejável pelos brasileiros. Dessa forma, o investimento estatal e privado em meios como as locomotivas fica restringido, o que potencializa problemas ambientais ocasionados pelos automóveis e dificulta a competitividade do frete nacional.

Por conseguinte,  é notório que a mobilidade urbana nos grandes centros brasileiras é insatisfatória e se apresenta como um revés a ser dirimido. Assim, o Estado, deve inverter a ordem de incentivos fiscais, reduzindo os subsídios destinados a produção de carros  e aumentando as isenções para as empresas que se responsabilizarem em expandir  a fabricação de ônibus e de trens. Desse modo, espera-se que os transportes de massa se multipliquem e sejam mais rentáveis e menos onerosos ao bolso do cidadão. Apenas dessa maneira, os brasileiros poderão desfrutar desse direito basilar.