Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 15/10/2018
Segundo a Constituição de 1988, o direito de ir e vir é garantido a todos os cidadãos. Não obstante, hodiernamente os indivíduos vivenciam grande dificuldade no que tange a mobilidade urbana. Destarte, é crucial ressaltar como a escassez de investimentos e a sociedade cooperam para o aclive do problema.
Mormente, é notório que o Governo Federal não prioriza o transporte público, haja vista que esse modal possui custo elevado e infraestrutura precária. Contudo, essa indiferença governamental não é exclusiva da contemporaneidade, uma vez que nos anos 50 Juscelino Kubitschek, ex presidente do país, optou em sua política desenvolvimentista investir em empresas automobilísticas, ou seja, priorizou o automóvel individual e abdicou os modais coletivos. Prova disso são os famosos ‘’engarrafamentos’’ da cidade de São Paulo, na qual inúmeros veículos nas vias públicas corroboram para o inchaço do trânsito.
Outrossim, a sociedade também auxilia para a permanência do empecilho. Afinal, para uma grande parcela da população o automóvel tornou-se sinônimo de elevado poder aquisitivo e prestígio social. Logo, a frase: ‘‘Consumo, logo existo’’ do célebre filósofo, Zygmunt Bauman, estava correta visto que as pessoas buscam adquirir de modo hiperbólico o veículo individual para evitar os transportes públicos, os quais estão atrelados ao estigma de serem usuais frequentes da população periférica. Por conseguinte as pessoas distanciam-se dos modais alternativos e auxiliam no acarretamento de outro problema; A poluição do ar.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para a resolução do impasse. Cabe ao Governo Federal em parceria com Receita Federal investir nos modais públicos, por intermédio de reformas em sua infraestrutura, as quais enfatizem cintos de segurança, a presença regular de um extintor de incêndios, entre outras regulamentações, posteriormente a Receita Federal deve priorizar declive dos preços das passagens. Por fim, o próprio Governo Federal em parceria com a mídia deve propagar em meios midiáticos as vantagens de optar pelos veículos públicos e modais alternativos, que viabilizam o declive da poluição atmosférica, por meio de imagens claras e chamativas, as quais enfatizem que o transporte não deve estar ligado ao poder aquisitivo e sim a mobilidade. Dessa forma, o direito de ir e vir presente na Carta Magna estará garantido.