Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/10/2018

Muitas questões importantes emergem na sociedade, entre elas o problema da mobilidade urbana no Brasil. A Constituição de 1988 assegura, no artigo 6º, um dos direitos indispensáveis aos cidadãos, ter o acesso ao transporte de qualidade. Contudo, devido a fatores econômicos e sociais esse direito é violado, e muitos brasileiros possuem dificuldades ao se deslocar de um ponto ao outro nas cidades.

Em primeiro plano, após a década de 1950, o Brasil começou a urbanizar-se de forma rápida e desordenada. Logo, isso reflete-se nos dias atuais, visto que não houve planejamento adequado nas cidades para facilitar o deslocamento dos cidadãos. Nessa perspectiva, o ex-presidente Juscelino Kubitschek , cujo gestão data de 1956 a 1961, incentivou o modelo desenvolvimentista no país, no qual foi amplificado o pode aquisitivo da população, a fim de estimular a compra de veículos. Com efeito, esse padrão adotado promove ainda a desigualdade social, na medida em que atende apenas a minoria detentora de pode econômico.

Outrossim, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, defende que vivemos em uma sociedade individualista a qual as relações entre as pessoas estão mais fluidas. A esse respeito, o grande contingente de automóveis nos congestionamentos é resultado da influência cultural histórica e pautada no individualismo, cuja consequência é a emissão de gases poluentes, como o monóxido e dióxido de carbono. Além disso, essas substâncias trazem impactos irreversíveis à coletividade e ao equilíbrio ambiental. Dessa forma, enquanto houver o culto ao carro, o trânsito nas cidades ainda será poluente.

É preciso, portanto, que o direito ao transporte seja assegurado como previsto na Constituição. Cabe ao Ministério dos Transportes promover a construção de faixas para o uso de transportes menos poluentes como bicicletas, por meio de campanhas midiáticas incentivar ao uso desse e de outros modais como caronas solidárias. É dever desse mesmo órgão fiscalizar as empresas de transporte público com a renovação da frota poluente e ampliar a oferta desses veículos, a fim de desestimular o culto ao carro, junto a propagação e ampliação de fontes que promovam a sustentabilidade das cidades, com uma sociedade menos individualista.