Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/10/2018

Inércia inquietante

Em meados do século XX, teve início no Brasil, o processo de acúmulo de investimentos voltados ao rodoviarismo. Aliada a essa política que privilegia o modal de transporte de cargas e pessoas sobre rodas, está a metropolização e o incentivo fiscal para a compra de veículos. Essa soma de fatores gera ambientes urbanos conturbados e com baixa fluidez no trânsito, o que prejudica, consideravelmente, a qualidade de vida dos cidadãos.

Em princípio, os investimentos no transporte rodoviário não alcançaram os meios de locomoção coletivos. Dessa forma, muitos indivíduos preferem usar seus carros particulares a enfrentar ônibus lotados e sem manutenção. No entanto, o que deveria proporcionar conforto torna-se outro problema, pois o elevado número de carros nas ruas causa congestionamentos quilométricos. De acordo com estudo publicado no site Uol, as grandes cidades são as mais caóticas no trânsito, sendo que em São Paulo perde-se quarenta e cinco dias do ano no engarrafamento. Nesse contexto, urge a necessidade de iniciativas para mudar esse cenário.

Por conseguinte, o inchaço urbano gera acidentes diários, além da poluição ambiental. Conforme o sociólogo Karl Marx, “as inquietudes são a locomotiva da nação”. Desse modo, a Política Nacional de Mobilidade Urbana, criada em 2012, precisa ser posta em prática. Caso contrário, a população continuará imersa no estresse e no convívio com acidentes no trajeto para o trabalho. Além disso, o excesso de carros eleva a emissão de gás carbônico, o que piora a qualidade do ar e contribui para o agravamento de problemas, como o aquecimento global. Assim, é evidente que o bem-estar humano, no presente e no futuro, está diretamente relacionado a mudanças na dinâmica das cidades.

Deve-se, portanto, adotar mecanismos para facilitar a locomoção urbana nacional. Cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério dos transportes, exigir dos governantes municipais o cumprimento da lei de mobilidade, por meio da criação de ciclovias e disponibilização gratuita de bicicletas, além de elaborar projetos de transportes coletivos alternativos nos locais onde ainda não existem, como o metrô, e melhorar a qualidade dos ônibus, para que os indivíduos prefiram deixar seus carros em casa. Já a mídia engajada deve mostrar exemplos de cidades como Paris, que investem na melhoria do trânsito e na educação dos agentes, a fim de que as pessoas cobrem iniciativas semelhantes dos órgãos responsáveis e tenham consciência do seu papel no combate a essa inércia inquietante.