Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/10/2018
Nas primeiras décadas do século XX o Brasil ainda era um país majoritariamente agrícola, com o acontecimento da Primeira Guerra Mundial e a falta de abastecimento de suprimentos básicos, o país se viu na necessidade de expandir sua produção industrial, assim como a massiva vinda de imigrantes para o território nacional contribuiu para o aumento populacional das cidades. A carência de infraestrutura nos grandes centros urbanos, assim como a falta de eficácia dos transportes públicos, são fatores que contribuem para a crise de mobilidade urbana vivida no país.
Antes de tudo, há de se observar que a infraestrutura do Brasil projetada no século XlX, era uma estrutura ainda feita para mobilidade agrícola, como charrete, cavalo e poucos automóveis. Entretanto, no século XX, o país se expandiu expressivamente, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro viraram grandes centros. As cidades foram se expandindo ainda perante uma estrutura do século passado, e o crescimento exponencial em um período curto de tempo trouxe um aglomerado de pessoas em um espaço despreparado para recebê-las. Tendo isso em vista, observa-se ruas e rodovias no território nacional despreparadas para receber grandes quantidades de automóveis, bem como a inexistência ou ineficácia de ciclovias nos grandes centros, o que torna essa carência de infraestrutura mais evidente.
De conformidade com a necessidade de melhoria da infraestrutura, está a ineficácia dos transportes públicos. Desse modo, verifica-se que, uma das possíveis válvulas de escape para a melhoria do tráfego nas grandes cidades, torna-se incapaz de trazer resultados satisfatórios. Nos grandes centros urbanos, perde-se horas com transporte público, estudos recentes mostram que em São Paulo já se gasta mais de 25 horas semanais com o transporte público, tempo este que poderia ser usado de outra maneiras, é gasto no deslocamento para o trabalho ou escola. Ineficácia essa que vai desde a pequena frota de ônibus ou metrôs, até os grandes trajetos que poderiam ser optimizados com novas rotas ou aumento no contingente de modais de transporte. Tudo isso faz com que o cidadão opte por comprar seu próprio meio de transporte, e assim, aumentando o tráfego nas rodovias.
É evidente, portanto, que o Estado como entidade maior deve trazer politicas públicas de melhoria para a redução do tráfego nas grandes cidades. Projetos eficazes de incentivo e criação de ciclovias, que faça com que aumente o número de pessoas que usam esse meio de transporte para se locomover nos grandes centros, assim como novos projetos de rodovias que sejam ambientalmente sustentáveis e melhore o espaço de locomoção. O desenvolvimento e aumento dos transportes públicos é imprescindível para que se passe menos tempo no transporte, sendo assim deve-se destinar mais dinheiro para a ampliação tanto dos modais de transporte, como para a melhoria na infraestrutura.