Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/10/2018
No limiar do século XXI, a mobilidade urbana aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que a livre circulação de pessoas no cenário citadino fica obstruída. Nesse contexto, é indispensável salientar que os estímulos - fiscais e morais - atribuídos aos meios de transportes individuais estão entre as causas da problemática, haja vista que os modais alternativos foram vorazmente substituídos. Diante disso, vale discutir as motivações para a obsolescência da mobilidade urbana no Brasil e a importância da integração dos modais alternativos para o desenvolvimento do país, bem como a atuação do Estado no âmbito da solução desse impasse.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a mobilidade urbana brasileira está defasada. No início da década de 1960, a partir da mecanização da produção, o estímulo à compra de automóveis tornou-se um dos fatores primordiais para a manutenção do sistema capitalista no Brasil. De maneira análoga, o sociólogo Roberto DaMatta explica que foi criado um fetiche sobre a mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade seria alcançada com a compra do produto. Nesse sentido, os interesses do mercado automotivo foram priorizados, o que reverbera no aumento extraordinário da quantidade de meios de transportes individuais, sobretudo, carros e motos. Em consequência dos fatos elencados, o cenário citadino brasileiro enfrenta, diariamente, acidentes e violência no trânsito, “engarrafamentos” e perda de tempo útil.
Outro ponto em destaque - nessa temática - é a relevância da integração de meios de transportes alternativos para a evolução da nação. Um exemplo que ratifica essa ideia acontece em Copenhague, onde há priorização pelos meios de transportes públicos e de baixo impacto ambiental. Na capital dinamarquesa, as malhas cicloviárias cobrem 98% da cidade, como também há a presença de hidrovias, de rodovias e de ferrovias ligando as diferentes regiões da cidade. De maneira antagônica, o cenário urbano brasileiro apresenta priorização dos meios de transportes individuais sobre os demais modais. Nessa ótica, estudos do Instituto de Pesquisa de Campinas indicam que os ínfimos investimentos nos setores de transportes públicos colaboram para a ineficácia da mobilidade urbana no Brasil, a julgar que a maioria dos transportes coletivos estão em péssimas condições de preservação.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para melhorar a mobilidade urbana no Brasil. Cabe ao Ministério do Planejamento direcionar as arrecadações - pelo menos 20% - das prefeituras para a ampliação de ciclofaixas, o melhoramento do estado de conservação dos transportes coletivos e a construção de ferrovias para o escoamento de “commmodities”. Espera-se que, com tais medidas, a concentração de veículos nas rodovias seja diminuída, o que melhorará a mobilidade urbana no Brasil.