Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 09/10/2018

Segundo Aristóteles, “a política é a ciência para garantir a felicidade dos cidadãos”, a qual deve atuar na interação da sociedade e visar o bem comum. Contudo, essa conduta necessita de ética e imparcialidade para não acometer liberdade e direitos fragmentados à parte da população. Atualmente, no Brasil, vivenciam-se os desafios da mobilidade urbana em manter sua efetividade. Nesse aspecto pode-se destacar a má gestão do sistema de transportes públicos, assim como a falta de infraestrutura nas grandes metrópoles.

É indubitável que se locomover nas grandes cidades é um dilema enfrentado devido ao cenário patológico atual. Segundo um estudo realizado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), “é necessário investir R$ 235 bilhões de reais no setor de transporte público para resolver os problemas nas 15 principais cidades do país”. Ademais, o crescente número de veículos individuais promove o inchaço do trânsito e dificulta a mobilidade da população. Por esses motivos, políticas públicas para o desenvolvimento dos transportes coletivos se fazem por imprescindíveis, ao analisar que o direito de ir e vir dos indivíduos devem ser assegurados pelo estado.

Concomitantemente a isso, o crescimento desordenado dos grandes centros urbanos atua como impulsionador da problemática. Conforme o levantamento realizado, na cidade de São Paulo, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “o cidadão gasta em média 3 horas por dia no trânsito”. Nesse âmbito, destaca-se o processo de urbanização no Brasil tardio e acelerado após o processo de industrialização ocorrido a partir de 1956. Analogamente, a infraestrutura das grandes cidades não acompanharam os investimentos da indústria e junto com o êxodo rural as cidades superlotaram. Dessa forma, a distribuição da expansão urbana deve ser homogênea para garantir a autonomia dos deslocamentos.

Evidencia-se, portanto, que diversos catalisadores impulsionam a crise da mobilidade urbana no país. Logo, o Governo Federal, junto com o Ministério dos Transportes, devem consolidar os devidos investimentos com a estruturação dos transportes coletivos: metrôs, ônibus e trens de modo que incentivem o cidadão a deixar o transporte individual. Igualmente, o Ministério da Infraestrutura necessita corrigir o desenho urbano metropolitano com a composição de vias automotivas, vias de transporte coletivo e ciclovias para que os métodos alternativos proporcionem agilidade para a população. Em suma, os direitos citados por Aristóteles vencerão a inércia e com seus devidos movimentos resultarão em bons frutos à população.