Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 14/10/2018
O geógrafo M. Santos, em sua teoria “Globalização Perversa”, defendeu que a ascensão do capitalis- mo foi sinônimo de facilidade e avanço na vida da humanidade, entretanto trouxe consigo consequên-cias irreversíveis, o que ele denominou como o lado perverso da referida revolução econômica. Atribui-se à globalização os desafios da mobilidade urbana no Brasil, uma vez que essas dificuldades se dão pela tamanha quantidade de veículos que circulam, cotidianamente, nas ruas. Desse modo, é impres-cindível a análise em torno de como o processo de modernização do Brasil aliado aos ínfimos investi-mentos estatais que visem à melhora dos trajetos corroboram o enorme desafio da mobilidade urbana.
Mormente, é crucial destacar os impactos da modernização brasileira no que tange aos desafios da mobilidade urbana no país. Durante a década de 60, o presidente da República, Juscelino Kubitschek, foi responsável pela construção de inúmeras rodovias no Brasil. Diante disso, viu-se a massificação do consumo de automóveis em virtude, também, do auge do capitalismo. Todavia, esses dois processos - construção de rodovias e consumo exacerbado de recursos automobilísticos - foram fatores fundamen-tais para que a mobilidade urbana se tornasse um entrave no Brasil. Isso se dá porque, com a cons-trução de rodovias tornou-se mais acessível o êxodo para as cidades, o que levou um enorme contin-gente de veículos para o meio urbano e, assim, as dificuldades da mobilidade urbana ficaram evidentes.
Outrossim, aponta-se a negligência e os escassos orçamentos governamentais no que diz respeito à dificuldade da mobilidade urbana no Brasil. Esse fato fica transparente à medida em que o Poder Exe-cutivo não oferece investimentos em projetos sustentáveis capazes de oferecer melhoria às rotas de automóveis e pedestres - tais como reformas e construções de ônibus e ciclovias. Desse modo, os veí-culos públicos encontram-se depredados e em más condições, o que faz com que a sociedade - em sua grande maioria - não se atraia pelos mesmos e use seus meios de transporte particulares. Isso faz com que o processo de mobilidade urbana encontre-se difícil, uma vez que grande número de carros e motos passam a rondar nas ruas, o que agrava, também, o aquecimento global.
Urge, portanto, a adoção de medidas capazes de viabilizar a mobilidade urbana no Brasil. Para tal, compete às prefeituras e o Sistema Nacional de Trânsito facilitarem a movimentação de veículos nas ruas, por intermédio da criação de rodízios em todas as cidades, a fim de que o perímetro urbano pos-sua menor quantidade de automóveis em circulação, de forma a visar à melhoria nas rotas de transpor-tes e pedestres. Ademais, cabe ao T. de Contas da União promover também, melhores formas de ga-rantir a eficiência da mobilidade urbana, por meio da destinação de verbas aos governadores, para que esses possam incrementar os recursos públicos de transporte, a fim de que as pessoas os utilizem.
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