Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/10/2018

Desde o início do século XX, com a mecanização do campo e a intensificação do êxodo rural, o Brasil tem sofrido com problemas relacionados à mobilidade urbana. É notório que a adoção de políticas públicas como o rodízio de placas em São Paulo, que restringe a circulação de alguns veículos em determinados dias, tenha amenizado a dificuldade de locomoção. No entanto, devido à insuficiência e precariedade dos transportes de massa a problemática ainda persiste.

Para o físico Isaac Newton dois corpos não podem ocupar, simultaneamente, o mesmo lugar no espaço. Ainda que o princípio da impenetrabilidade seja comprovado pela ciência, na prática aparenta ser uma ideia surreal, uma vez que, na grande maioria das cidades do Brasil, os transportes coletivos apresentam superlotação quase todos os dias. O aplicativo MoveCidade, criado para que os usuários avaliassem o transporte de seu município, informou que as principais reclamações são a respeito da lotação dos ônibus. Nota-se, portanto, que a falta de veículos de massa em circulação contribui para a queda da adesão aos meios coletivos por não garantir o conforto do passageiro.

Além disso, em virtude das condições precárias do transporte público, a aquisição de veículos particulares no país se tornou quase que uma prioridade para a população. Prova disso está nos dados divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), os quais mostram que entre os meses de julho e agosto houve o registro de 175 mil automóveis. Consequentemente, há um aumento significativo do trânsito dificultando ainda mais a mobilidade.

Logo, a fim de atenuar o caos urbano gerado pela dificuldade de mobilidade e tornar o transporte coletivo atrativo é necessário que, antes de mais nada, as secretarias de transporte abram licitações para que mais empresas de transporte público possam atuar nas cidades, exigindo, dessas e das já em circulação, a renovação dos veículos, para garantir mais conforto aos passageiros, e a ampliação das frotas. Feito isso, é preciso que criem medidas para reduzir a quantidade de carros em circulação. Portanto, cabe aos governos municipais implementação de pedágios nas vias maiores, uma vez que ao encarecer a utilização dos veículos e garantir um transporte coletivo de qualidade as ruas ficaram mais livres. Só assim, o direito de ir e vir será assegurado aos cidadãos com dignidade.