Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 16/10/2018

A situação atual de transportes no Brasil remete ao que o escritor Jean Baudrillard abordou em “À sombra das minorias silenciosas”, com a visão de uma sociedade irracional e segregada. Analogamente, a indiferença humana em torno da área do transporte estabelece limites nas relações entre os homens. Essa negligência social afeta, inclusive, a população residente em grandes cidades. É nesse viés que a problemática da mobilidade urbana aponta os desvios comportamentais da sociedade nos atuais paradigmas do Brasil.

Em primeira análise, as causas da problemática podem ser analisadas sob perspectivas sociais e humanas, tendo em vista que se tornaram reflexos da perpetuação do individualismo no tecido social brasileiro. O incentivo por parte do Governo e a facilidade de aquisição de automóveis têm provocado um grande aumento do número de veículos, sobretudo nos grandes centros urbanos. Essas transformações afetam, consideravelmente, a livre circulação de pessoas. Dessa forma, percebe-se, no setor urbano, uma falência de ideologias que confirmam a visão de Baudrillard.

Incontestavelmente, os problemas de mobilidade destacam como os indivíduos, de maneira inconsciente, são influenciados pela própria sociedade. Evidentemente, o crescente número de veículos resulta em trânsitos caóticos, congestionamentos e grande poluição ambiental devido à queima de combustíveis. Sob esse contexto, é certo declarar que a população brasileira apresenta uma completa inversão de valores. Além disso, é notório que são poucas pessoas que oferecem carona ou utilizam de transporte público para amenizar o problema. Dessa maneira, ao analisar a problemática do intenso fluxo de automóveis, pode-se dizer que há uma relação de interdependência entre o indivíduo e a sociedade, como teorizada pelo sociólogo alemão Norbert Elias.

Fica evidente, portanto, que os preceitos elementares entre indivíduo e sociedade, assegurados pela teia de interdependência de Elias, devem ser explorados de forma que a população brasileira adquira novos valores de cidadania acerca da mobilidade urbana. Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Ministério da Educação –em parceria com instituições privadas- promova a criação de vídeos e de enquetes, por meio de plataformas digitais, com discussões e debates desenvolvidos por profissionais da área sobre como as caronas ou o uso de transportes públicos podem amenizar o problema, de forma que a Educação Social desperte a preocupação e o conhecimento da população, já que se observa uma alteração nos padrões sociais brasileiros. Afinal, segundo o autor norte-americano Skinner, a educação sobrevive mesmo quando todo o resto aprendido é esquecido.