Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 20/10/2018
No ano de 1955, Juscelino Kubistchek tornou-se presidente do Brasil e seu ambicioso plano de metas incluía uma significativa expansão da indústria automobilística. Posteriormente, o país aprofundou-se na dependência do modal rodoviário, tornando-se, enfim, o principal meio de deslocamento de pessoas e mercadorias pelas vias do país. Analogamente, conforme o levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o país conta com 1,7 milhão de quilômetros de estradas, todavia, apenas 13% encontra-se pavimentada, segundo o órgão. Diante da atual conjuntura cabe analisar os efeitos da mobilidade frente às condições precárias oferecidas ao deslocamento.
Em primeira análise, faz-se relevante definir mobilidade urbana como as condições ofertadas para a livre circulação de pessoas. Nesse sentido, a conjuntura atual permite verificar que essa garantia ainda se encontra longe de ser alcançada, quer seja pela estrutura precária das estradas brasileiras ou pelo inchaço da malha rodoviária devido ao crescimento do número de veículos individuais. Não obstante, o governo promulgou em 2012 a Lei da Mobilidade Urbana, instrumento da política de desenvolvimento urbano, objetivando a integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas no território do Município. Todavia, ainda se verifica o estado caótico das vias urbanas sem quaisquer evidências de melhoras.
Outrossim, em desacordo com a fala de Paul Atson: “A inteligência é a habilidade das espécies para viver em harmonia com o meio ambiente”, a mobilidade urbana acarreta os mais inúmeros problemas socioambientais. Em decorrência disso, é possível verificar nos núcleos urbanos a formação de chuva ácida devido a emissão de poluentes pelos veículos e a recorrência da poluição sonora provocada pelo congestionamento e estresse, reduzindo a qualidade de vida do cidadão brasileiro. Destarte, o deslocamento deve buscar ser entendido além de um sistema isolado, integrando a mobilidade urbana a uma questão de ordem social, pensada na melhoria do bem-estar do cidadão.
Em síntese, o Brasil vivencia um intenso debate acerca da sua ineficaz estrutura de mobilidade urbana e sua herança histórica e urgem medidas que amenizem o quadro conturbado dos centros urbanos. Logo é necessário que o Poder Público inicie um amplo e intenso investimento em modais alternativos, implementando o uso de ciclofaixas e a expansão dos veículos BRT, além da requalificação do transporte coletivo, a fim de apresentar opções viáveis em detrimento do transporte individual. Ademais, cabe também ao Governo a formulação de campanhas sociais como o incentivo à carona solidária com o intuito de reduzir o inchaço das vias públicas. Dessa forma, espera-se que o direito de ir e vir possa, por fim, ser exercido.