Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/07/2018

Em Berlim, capital da Alemanha, a diversidade de modais e a facilidade de acesso, aliada a humanização e sustentabilidade no trânsito, aos meios de transportes coletivos são as principais características da mobilidade urbana da metrópole. No entanto, a questão do deslocamento urbano nas médias e grandes cidades brasileiras vem ganhando grandes e preocupantes proporções nos últimos anos. Dentre os principais motivos para o recrudescimento da chaga social, destacam-se a herança histórica rodoviarista e a incontinuidade de projetos no âmbito estatal.

A priori, é notório que uma das raízes do problema é a priorização marcante pelo modal rodoviário no país. Isso decorre, lamentavelmente, devido a relegação da condução ferroviária no limiar da década de 1920, sobretudo, durante o governo Washington Luís, cujo principal lema ,na sua gestão, foi " Governar é abrir estradas", atrelado a isso, na contemporaneidade, à má qualidade do transporte público e a concessão demasiada de crédito ao consumidor impulsiona o inchamento, por veículos individuais, nas vias urbanas. Logo, é necessário a criação de mecanismos que privilegiam a variabilidade da locomoção no trânsito.

Além disso, nota-se,ainda, que a ausência de continuidade de projetos de mobilidade urbana na esfera governamental aumenta a problemática social. Isso acontece, infelizmente, porque muitos governantes, frequentemente, primam suas condutas apenas por prioridades pessoais, como aponta o pesquisador do Observatório da Metrópoles Juciano Rodrigues, no qual o desinteresse nos planos está relacionado à “cultura” dos gestores públicos de não pensar a longo prazo e querer resultados dentro do mandato e indo de encontro ao Plano Nacional de Mobilidade Urbana. Tal situação rompe com o conceito rousseauniano de contrato social, em que o Governo, por meio do poder, manteria as regras e vantagens igualmente para todos. Dessa forma, diretrizes para deslocamento citadino devem ser preceitos constantes e permanentes do poder executivo.

Infere-se, portanto, que a adoção de medidas capazes de assegurar a promoção da mobilidade urbana com qualidade e eficiência tornar-se imprescindível. Faz-se necessário que a governança, na figura dos Ministérios dos trasportes, em consonância com a iniciativa privada, crie um programa idôneo, de abrangência nacional, direcionado as regiões metropolitanas, que prime essencialmente na construção e na expansão da malha metroviária e aquaviária, com o escopo de desenvolver a diversidade e a humanização da locomoção pública. Somente assim o Brasil poderá se comparar a nações desenvolvidas de forma cabal.