Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 26/07/2018

Superlotação. Veículos sem manutenção. Acessibilidade precária. Transito caótico. Contrariando a Constituição de 1988, no que concerne a garantia ao direito de ir e vir, a mobilidade no espaço urbano apresenta inúmeras falhas no que diz respeito à qualidade dos serviços oferecidos. Sendo assim, convém analisarmos as bases intrínsecas ligadas a essa realidade que impulsiona a insatisfação dos cidadãos nos sistemas rodoviários.

É indubitável que as precárias condições de deslocamento, nas vias de trânsito, impulsionou a ascensão da frota de veículos particulares. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado. No Brasil, a falta de investimentos em recursos que supram as defasagens nos ambientes de circulação, bem como aos meios de transportes coletivos, rompem essa harmonia, haja vista a escassa estruturação dos grandes centros. Os engarrafamentos quilométricos, a má sinalização e iluminação, além de buracos nos asfaltos e o alto índice de violência, comprovam a carência de projetos em detrimento ao intenso fluxo de carros, motos e ônibus desordenados.

Outrossim, destaca-se a publicidade midiática como impulsionadora do problema. Segundo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de generalidade e coercitividade. De maneira análoga, as propagandas induzem a população optar, sem dúvidas, pelo transporte individual como símbolo de consumo. Desta forma, o exorbitante fluxo de veículos é prejudicial a saúde humana, devido ao estresse (podendo ser causa de violência), e também ao surgimento de doenças respiratórias, como resultados dos altos índices de poluição, ocasionados pela queima de combustíveis.

É evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para que o equilíbrio harmônico seja alcançado na sociedade. Para isso, é essencial que o Governo aplique as verbas destinadas aos transportes na sua manutenção, além de investir em projetos que assegurem a mobilidade urbana e obras públicas que atendam as necessidades de sinalização, afim de reestruturar os grandes centros e permitir um fluxo mais organizado. Ademais, os meios de transportes públicos e coletivos, devem ser ampliados e difundidos em todas as localidades, através de investimentos pela Constituição Federal atrelada ao Ministério do Transporte, com o intuito de reduzir os impactos ambientais, bem como tornar ameno os engarrafamentos. Destarte, o recurso midiático tem grande relevância na propagação do incentivo à opção aos meios de transportes públicos e coletivos. Sendo assim, será possível que o direito de ir e vir, seja de fato assegurado em condições mais favoráveis.