Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 26/07/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido:“Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas para garantir a mobilidade urbana no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido torna-se evidente a necessidade de meios de transporte alternativos e sustentáveis, bem como é preciso medidas governamentais para solucionar o impasse.

É indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. A herança histórica da política rodoviarista, durante o governo de Juscelino Kubitschek e no Regime Militar, gerou um acúmulo nos investimentos para esse tipo de transporte em detrimento de outras formas de locomoção. Assim, somando-se os incentivos promovidos pelo Governo Federal para o mercado automobilístico e a baixa qualidade do transporte público, número da frota de carros no trânsito aumentou consideravelmente. Por conseguinte, tornaram-se ainda mais constantes os problemas com engarrafamentos e aumento dos acidentes, principalmente nas grandes cidades.

Outrossim, consoante a lei Newtoniana da Inércia, um corpo tende a permanecer em seu estado até que uma força atue sobre ele. Nesse interim, até que se promova uma mudança na utilização dos meios de transporte, a questão permanecerá inerte. Dessa forma, o uso de transportes não motorizados, como bicicletas, e de coletivos, como metrôs e ônibus sustentáveis, poderiam resolver não somente o problema da mobilidade nos centros urbanos, mas também da sustentabilidade, entretanto devido a falta de ciclovias e de investimentos no transporte público, isso não é firmado.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a mobilidade urbana no Brasil. Destarte, a Receita Federal, em parceria com o Ministério dos Transportes, deve direcionar uma parte das arrecadações dos impostos para promover uma reforma no transporte público, melhorando e modernizando trens, metrôs e ônibus, além de investir na construção de ciclovias. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam mundo. Logo, em parceria com o Ministério da Educação, a mídia deve veicular propagandas de cunho educativo incentivando os brasileiros a utilizarem meios de transporte alternativos e sustentáveis, promovendo tanto a sustentabilidade quanto a mobilidade urbana. Assim, talvez, o Brasil poderá transformar a profecia de Zweig em prática, e não apenas em teoria.