Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 21/07/2018
Rousseau, filósofo iluminista, defendia a liberdade de ir e vir do homem como um direito, esse que foi expresso na Constituição Federal de 1988 do Brasil. Porém, tendo em vista o histórico brasileiro de planejamento urbano baseado no modelo rodoviário, é indubitável que o excesso de carros em rodovias e a insuficiência estrutural de outros meios locomotivos, como o ferroviário e/ou hidroviário, propagam os desafios para a mobilidade urbana e inferem esse direito. Primeiramente, é inquestionável que os engarrafamentos já fazem parte do cotidiano das grandes metrópoles. Como mostra a pesquisa realizada pelo IBOPE, um cidadão paulista passa cerca de 45 dias parado no trânsito. Dessa forma é inegável que o aumento de transportes privados acentua essa situação, no entanto, a tarifa alta e a demora dos transportes públicos influenciam a preferência por meios de locomoções privadas. Além disso, a falta de investimentos nas linhas de trem e na utilização de rios como transporte atrasam a melhoria na circulação de massas entre as cidades. Exemplificando tal fato, no século XIX o político e industrial brasileiro Barão de Mauá realizou a expansão de 10 mil quilômetros nas linhas ferroviárias, hodiernamente esse número resulta em 30 mil quilômetros, sendo Mauá responsável por 1/3. Ademais, a utilização de canais fluviais são mais econômicos e limpos, no entanto são os menos utilizados. Logo, fica evidente a falta de continuidade nos planejamentos logísticos do país em outros setores de deslocamento.
Em virtude de tais fatos, a predominância do transporte rodoviário (que representa 65% do total), além de causar lentidão no tráfego dos grandes centros, é responsável por 90% das emissões de gases poluentes e de CO2. O aumento desses gases contribuem para desastres ambientais, como o aquecimento global e a chuva ácida, e também são responsáveis pelo desenvolvimento de doenças crônicas, como as pulmonares e cardiovasculares e o enfraquecimento do sistema imunológico, resultando em uma questão de saúde pública. Portanto, é necessário que mudanças sejam feitas tendo em vista os fatos supracitados. O Governo Municipal precisa melhorar o transporte público por meio de investimentos em novas frotas de ônibus e criar mais faixas exclusivas, para garantir o conforto dos usuários e diminuir o tempo de deslocamento, a fim de incentivar o uso do transporte coletivo em detrimento do transporte individual, evitando congestionamentos e diminuindo a poluição. Ademais Entes da Federação devem implementar metros e trens, a fim de diversificar o transporte e os deslocamentos, evitando engarrafamentos nas metrópoles.