Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 15/07/2018
Durante o governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek, o processo de industrialização no Brasil carecia de uma maior integração territorial e, por conseguinte, de uma rede de transporte articulada. Assim sendo, Juscelino tomou medidas que favoreceram o surgimento do rodoviarismo no país –uma alternativa barata e eficaz para a época- , e que atraíram investimentos internacionais, como a montadora de carros Ford. Apesar do sucesso de tal estratégia, o privilégio do rodoviarismo,em detrimento de outros modais, legou à população brasileira desafios na mobilidade urbana que persistem na sociedade atual e que necessitam ser analisados.
Hodiernamente, embora a infraestrutura dos principais modais de transporte do país seja precária e ineficaz no que tange aos deslocamentos inter e intrarregionais, o maior empecilho da mobilidade urbana não é estrutural, mas sim social. De acordo com o pensador Guy Debord em sua obra ‘A Sociedade do Espetáculo’, a mercadoria é a razão última das relações sociais e domina a sociedade moderna por meio de imagens, provocando a fetichização dos objetos. Destarte, é possível associar que o crescimento de veículos individuais, quando associados aos incentivos governamentais na compra desses –seja com a redução de impostos, seja com estratégias de marketing-, deixaram de ser uma mera questão de conforto e se tornaram um símbolo de status social.
Entretanto, apesar dos argumentos supracitados, é necessário reconhecer que as questões de infraestrutura também contribuem com a sobrecarga da malha rodoviária do país e necessitam de intervenções sociogovernamentais. Com efeito, a má qualidade das estradas, a violência nessas e a ineficiência da intermodalidade são fatores que encarecem e desestimulam o uso do transporte público. Outrossim, prevalece, em âmbito nacional, uma certa resistência com meios de transporte não motorizados, como a bicicleta, pois não há uma cultura que estimule o seu uso, bem como ciclovias em bom estado, diferente do que acontece em países como a Holanda,considerada uma nação de ciclistas.
Infere-se, portanto, que os desafios da mobilidade urbana no Brasil precisam vencer tanto obstáculos sociais quanto estruturais e necessitam ser amenizados. E, para isso, o Ministério das Cidades e a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana (SEMOB) devem aplicar maiores recursos no programa ‘Avançar Cidades’, já existente, para impulsionar o desenvolvimento de projetos que melhorem a mobilidade urbana e a infraestrutura das cidades. Ademais, esse mesmo ministério deve veicular campanhas midiáticas e realizar parcerias público-privadas que estimulem o uso do transporte coletivo e do não motorizado. Dessa maneira, os desafios já mencionados serão atenuados e haverá o fomento de uma cultura similar à da Holanda.