Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 11/07/2018
“Stop! Avida parou ou foi o automóvel?” com esse poema de Carlos Drummond de 1930, percebe-se que a mobilidade urbana não é um problema atual. Desde o governo de JK com a intensificação da indústria automobilística, essa vicissitude é uma realidade. De mesmo modo, na contemporaneidade, as dificuldades persistem, seja pela cultura do carro enquanto objeto de status social, seja pela precariedade dos transportes públicos.
É indubitável que a “cultura carrocrata” atingiu níveis preocupantes. Comprova-se isso por meio de pesquisa feita pelo Jornal Correio que informa que está faltando aproximadamente duzentos e oitenta e quatro mil carros para travar os acessos da cidade de Campinas, em São Paulo. Esse dado se explica pela ideia do automóvel enquanto status de vida. Esse cenário traz como consequência a utilização exacerbada desse meio de transporte individual em trajetos pequenos que poderiam ser realizados por bicicletas e a pé incitando assim em uma menor prática física. Dessa forma, vê-se que a priorização por veículos é prejudicial para o trânsito, abarrotando-o, e para a sociedade induzindo-a para uma diminuição da qualidade de vida.
Outrossim, cabe salientar que há uma enorme precariedade dos transporte públicos, que não possuem frotas suficientes para atender a demanda da população, levando à superlotação; fadiga dos usuários, falta de segurança por terem que ir em pé, estrutura insuficiente para receber as pessoas com janelas e bancos quebrados, além de que as tarifas elevadas não fazem jus ao serviço prestado.Diante disso, percebe-se que esses fatores contribuem no agravamento do cenário rodoviarista do país, solicitando mudanças.
Parafraseando com Drummond, para que se retire as pedras do caminho, destarte, são indispensáveis ações para resolver essa problemática. Sendo assim, é necessário que o Governo Federal em conjunto com os Departamentos de Trânsito dos Estados aprimorem o rodízio de placas já existente, através de leis regulamentadoras, fazendo com que os cidadãos se comprometam a cumprir as determinações sob pena de multa. Ademais, cabe ao Ministério do Transporte em parceria com as secretarias de transporte dos estados reestruturar as concessões das empresas que cuidam dos coletivos, através de cláusulas contratuais exigindo a manutenção e conservação da frota inteira, como também deve elaborar e divulgar campanhas de incentivo ao uso de transportes públicos, por meio de divulgação midiática, incluindo propagandas televisivas e entrevistas em jornais. Nesse sentido, o intuito de tais medidas são diminuir os enormes quilômetros de engarrafamentos e zelar pela locomoção popular, incentivando seu uso. Ação iniciada no presente, é capaz de modificar o futuro da sociedade brasileira.