Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 07/07/2018

Nosso país, enquanto nação emergente, teve como característica uma rápida modernização ao longo do século XX e, por consequência, um crescimento de cidades sem que houvesse planos rígidos de desenvolvimento. O resultado disso é que o progresso municipal é geralmente desordenado, acarretando severos problemas de mobilidade, de falta de integração de modais e de infraestrutura, configurados como pontos que precisam ser avaliados pelo poder público e pelas instituições que têm a função de elevar a qualidade de vida dos cidadãos.

Nesse contexto, a integração dos diferentes modais de transporte é uma grande aliada na permeabilidade e no fluxo das cidades, uma vez que esses meios são capazes de permitir o acesso a diferentes áreas dos municípios e de conferir a cidadãos de todas as classes a oportunidade de se locomoverem com equidade e com mais qualidade. O influente arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl explicita a importância dessa integração de modais como um dos fatores preponderantes para uma boa urbanização, a exemplo da capital dinamarquesa Copenhagen, considerada uma cidade projetada para as pessoas e cujo transporte público é um dos mais eficientes do planeta.

Além disso, a utilização exacerbada de meios de transporte particulares prejudica a infraestrutura das cidades, que muitas vezes não têm preparo para comportar tão elevado número de automóveis. Um exemplo disso é São Paulo, com seu trânsito considerado o quarto pior do mundo de acordo com dados de 2018. Esse fato promove a poluição exagerada do ar urbano, a desmotivação das pessoas que precisam transitar frequentemente por municípios com problemas afins e o agravamento de doenças respiratórias e psicológicas. Ademais, a incapacidade de transitar eficientemente até mesmo fere o direito constitucional cidadão de ir e vir, uma vez que os indivíduos regularmente encontram-se presos por horas em congestionamentos.

Diante desse panorama, é de extrema importância que o poder público absorva grupos de profissionais especializados, como urbanistas e engenheiros de tráfego, capazes de projetar reformas e reestruturações municipais que incluam diferentes meios de transportes - como ciclofaixas, ciclovias e metrôs - à malha urbana. Outrossim, é adequado que sejam veiculados veementemente em forma de propagandas midiáticas os benefícios da utilização do transporte público ao meio ambiente e à permeabilidade urbana, pois isso contribui para que os indivíduos sejam mais conscientes acerca do que podem fazer para contribuir com o bem-estar coletivo. Essas medidas são capazes de mitigar alguns problemas de mobilidade nas cidades brasileiras, tornando-as mais próximas dos modelos a serem seguidos de boa locomoção e de qualidade de vida urbana.