Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 05/07/2018
Os pensadores da Grécia Antiga, Sócrates, Platão e Aristóteles, associavam pólis - que significa cidade - com à ideia de política democrática e cidadania. Para eles, a felicidade esta relacionada com o bem estar comum dos cidadãos. Ao inserir o atual drama vigente do Brasil, a mobilidade urbana, nesse conceito filosófico, pode-se perceber que mobilidade não é apena o fluir do trânsito, mas, sobretudo, espaço de convivência democrática com os diversos tipos de locomoção, incluindo pedestres.
Deve-se pontuar, de início, a herança histórica da política rodoviarista do país e sua contribuição para o aumento de automóveis nos dias de hoje. No século XX, o Presidente Jucelino Kubitschek, trabalhou em políticas expansionistas com a criação de rodovias que ligassem o centro-oeste ao norte do Brasil e, consequentemente ao ampliar a malha rodoviária, atraiu empresas internacionais do ramo automobilístico. Atualmente, a falta de investimentos governamentais em transportes coletivos e a política-econômica de redução dos impostos na importação de automóveis, tem ocasionado essa multiplicação significativa de veículos individuais. Em virtude disso, os congestionamentos crescem cada vez mais atrapalhando o tempo de ir e vir da população e há implicações ambientais, como o agravamento das ilha de calor causadas pelo grande volume de emissão dos gases.
Vale ressaltar, também, que a constituição em sua política nacional de mobilidade urbana não assegura os direitos dos pedestres. Não há lei que contempla o conforto, a segurança e a liberdade de quem anda a pé. O planejamento urbano está todo direcionado aos carros, esquecendo assim, a elaboração, construção e manutenção de calçadas, a ausência de sinalização, as vias que são usadas indevidamente por carros, o desrespeito nas faixas de pedestres, entre outras dificuldades que essas pessoas encontram ao se locomoverem de um lugar até outro, principalmente entre deficientes físicos.
Diante do exposto, é indiscutível que deve haver um planejamento do Ministério do Transporte em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Organizações Não Governamentais que estimulam meios de transportes alternativos, como por exemplo, o incentivo a utilização de bicicletas, construção de ciclovias e sinalização. Além disso, os transportes públicos também são uma excelente ideia para diminuir o trafego e ajudar na sustentabilidade, entretanto, deve haver uma melhora na qualidade do serviço e uma tarifa acessível a todos. Afinal, a felicidade está ligada a democracia e ao bem estar da sociedade.