Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/07/2018

No contexto da República Populista, o período de governo do então presidente Juscelino Kubistchek foi marcado pelo investimento em transporte, energia e indústria. Carregando como lema “governar é abrir estradas”, J.K ampliou as construções de rodovias com o intuito de viabilizar a instalação de indústrias automobilísticas no país. Embora essas ações tenham possibilitado um crescimento econômico para o Brasil naquele momento, as consequências urbanas e ambientais foram drásticas e ainda hoje representam um dos maiores problemas a serem enfrentados pelos brasileiros.

Em primeira análise, o desenvolvimento das grandes cidades brasileiras no que se refere à infraestrutura urbana não conseguiu acompanhar a urbanização exacerbada ocasionada na Era Pós-Industrial. Nesse âmbito, percebe-se que um dos maiores problemas que dificultam a eficiência da locomoção populacional é a falta de planejamento do Poder Público, visto que a baixa qualidade dos transportes coletivos é o principal fator que afasta a população dessas locomotivas de massa. Nessa perspectiva, o transporte saturado, violento e caro resulta no afastamento da população desses modais, fazendo com que o número de carros de passeio nas vias aumente exponencialmente, o que traz como consequência um trânsito caótico marcado por longos congestionamentos.

Sob outro ângulo, o cenário de desenvolvimento urbano trouxe um novo desafio: a contenção dos impactos ambientais. A crescente taxa de automóveis em circulação impulsiona a emissão de gases poluentes pela queima de combustíveis fósseis, o que resulta em danos ambientais e também à saúde humana, este através da aquisição de doenças respiratórias; aquele por meio do aumento da temperatura média do globo, o que intensifica o efeito estufa e também a ocorrência de chuva ácida. Nessa esfera, nota-se a urgência de se obter alternativas sustentáveis para conter os problemas sociais e ambientais, a fim de melhorar a qualidade de vida da população.

Diante disso, fica evidente que medidas governamentais são essenciais para resolver a problemática. É fundamental, portanto, que haja investimentos na infraestrutura dos transportes coletivos, objetivando adequá-los para que a população possa aderir com maior intensidade a esses meios de locomoção. Para isso, o Ministério dos Transportes deve implementar políticas de melhorias no conforto e segurança dos ônibus e metrôs, cabendo às empresas responsáveis pelas locomotivas aumentarem a frota de automóveis, a fim de garantir que os veículos atendam a demanda com qualidade, evitando, assim, a saturação das frotas. Além disso, é imprescindível a utilização de meios sustentáveis, como a bicicleta, cabendo à mídia realizar propagandas que incentivem essa alternativa. Dessa forma, haverá benefícios tanto para a rede urbana quanto para o meio ambiente.