Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 01/07/2018
Contrariando a Constituição Federal, que procura garantir o direito de ir e vir do cidadão, no Brasil, a mobilidade urbana apresenta diversas falhas em relação a sua qualidade de serviço. Isso ocorre em virtude da falta de planejamento e a prioridade que foi dada ao automóvel durante o governo de Juscelino Kubitschek no período de construção do país. Desse modo, as vias públicas não conseguem garantir a fluidez para todos os veículos, o que torna a mobilidade um problema para milhões de pessoas diariamente.
Em uma primeira análise, é possível apontar que a superlotação dos transportes públicos, gerou uma insatisfação, que causou um crescimento exagerado dos veículos particulares, já que a população para evitar o estresse e encontrar uma melhor comodidade, passa a enxergar vantagens em um meio de transporte próprio. Prova disso é o aumento da frota de veículos no Brasil, que segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), cresceu em 119% em dez anos. No entanto, essa alternativa promove um trânsito caótico com engarrafamentos gigantescos, e até mesmo nos grandes centros a estrutura é insuficiente para suportar o fluxo desordenado de carros, motos e ônibus.
Outro fator alarmante dessa explosão no uso de automóveis é o aumento do número de acidentes, que segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), apenas em 2013, mais de 41 mil pessoas perderam a vida nas estradas e ruas brasileiras. Dessa forma, fica claro que essa falta de mobilidade afeta a população em vários níveis, provocando não somente acidentes mais causando males advindos do estresse. Isso acontece porque não há conforto nem comodidade nos veículos que, além de estarem superlotados, encontram ruas e estradas mal estruturadas, apresentando má sinalização, iluminação e buracos nos asfaltos, o que acarreta em viagens que duram períodos cada vez mais longos.
Portanto, medidas são necessárias para melhorar a mobilidade urbana do Brasil. Para isso, é essencial que, além da ampliação da rede pública de transportes, ações como a implantação de ciclovias e adoção do rodízio veicular sejam executadas em todas as metrópoles nacionais pelos governantes, visando ao fim dos congestionamentos e, consequentemente, à redução dos acidentes. Do mesmo modo, a fim de reduzir o número de carros particulares, é conveniente que a mídia, como grande difusora de informação, estimule, por meio de campanhas, o uso de veículos coletivos, como ônibus e bicicletas. Pois só, assim, será possível fazer valer o que está escrito na Constituição.