Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 28/06/2018
A imobilidade nas cidades brasileiras
Resultado da industrialização do país, a mobilidade urbana, é um impasse social construído historicamente. No século XX, durante o governo de Juscelino Kubitschek, deu-se início ao rodoviarismo, que além de visar interligar as regiões do país, estabeleceu as indústrias automobilísticas, incentivando a aquisição de automóveis. Tal iniciativa perpassou as construções das cidades, fazendo com que houvesse espaço prioritário para carros e caminhões. Nesse contexto, não há dúvidas quanto aos desafios encontrados pelas pessoas quando o assunto é deslocamento, fazendo com que seja de responsabilidade não apenas governamental, mas também da comunidade.
Analogamente, na Europa, o desenvolvimento se deu de forma semelhante, porém, desde 2013 o uso de bicicletas cresceu exponencialmente, gerando impactos tanto na urbanização, quanto na economia dos países que aderiram. No entanto, no Brasil, a realidade ainda se materializa como no século passado, em que a falta de planejamento, estrutura e investimento, atuam como divisores de águas entre a necessidade de locomoção e seus meios, resultando na carência de espaço para bicicletas e de transporte coletivo. Nas cidades interioranas, por exemplo, faltam ciclofaixas, tornando perigoso o deslocamento de tal forma, para quem já utiliza; e ônibus em boas condições - que acarretam no atraso logístico nas zonas em que mais atuam, como as periféricas.
Apesar de pouco discutido e de caráter isolado, deficientes visuais e cadeirantes, sem dúvidas, também sofrem com a atual estrutura urbana nas cidades. Vítimas de descaso, muitas vezes, dos órgãos de autoridade das cidades, cada vez mais a locomoção dessas pessoas se torna dificultada. A falta de rampas, piso - tanto de concreto quanto táteis, no caso dos deficientes visuais - em calçadas, praças e determinadas ruas das cidades, servem como agravantes para o problema, tornando lento e, em alguns casos, impossível completar o trajeto.
Portanto, medidas devem ser tomadas. Cabe à comunidade, juntamente com grupos de ciclistas, promover passeatas e campanhas audiovisuais - veiculadas através das redes sociais - que elucidem os desafios e benefícios relacionados às bicicletas, pressionando a prefeitura da cidade e, também, estimulando à sua adesão. Cabe ao governo municipal, adaptar a cidade, tornando obrigatória a aplicação de pisos táteis, em áreas públicas e privadas, e captar recursos, através de feiras locais, para a aquisição de mais ônibus e para a construção de ciclofaixas, rampas e também de passarelas - sobre áreas de muito movimento, principalmente. Dessa forma, provocar-se-á a supressão das barreiras que sustentam um problema tão antigo, mas ainda tão presente na sociedade brasileira.