Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 27/06/2018

O pensamento do filósofo grego pré-socrático Parmênides, segundo o qual o movimento é uma ilusão e as coisas na natureza, de fato, não mudam, pode ser parafresado para descrever à atual situação das rodovias brasileiras. A mobilidade urbana no Brasil está comprometida, trajetos são prolongados em horas e horas devido aos congestionamentos cada vez mais frequentes e, por consequência, a população é exposta aos riscos decorrentes de um longo período nas estradas. Desse modo, é necessário discutir os principais fatores que contribuem para tal cenário.

Primeiramente, destaca-se o uso de determinados transportes individuais em detrimento dos coletivos. No Brasil, ônibus e metrô são meios de locomoção frequentemente associados às classes mais baixas, havendo a crença de que os seus usuários não têm outros meios, senão aqueles, para se locomoverem. Tal realidade só é possível devido ao estado precário em que se encontra o transporte público do país. Por consequência desse cenário, veículos próprios configuram-se como o sonho de consumo da maior parte dos brasileiros. Contudo, as rodovias não suportam tamanha demanda de condutores, servindo para palco de congestionamentos.

Ademais, historicamente, o brasil privilegiou, no que refere ao fluxo de cargas, o transporte rodoviário em lugar dos demais modais. Desse modo, adiciona-se as rodovias, além dos veículos do cidadão comum, aqueles destinados à abastecer postos, preencher prateleiras de lojas e supermercados e encaminhar aos portos os produtos de empresas de atuação internacional. Além disso, para alguns, o uso de bicicletas representa uma excelente alternativa de locomoção, que pode, inclusive, amenizar o caótico trânsito dos grandes centros urbanos, contudo, a ausência e precariedade das ciclovias configura-se como um empecilho a este meio de transporte.

Em suma, a mobilidade urbana no Brasil é ineficiente, representando um problema de grandes dimensões à sociedade. Afim de tornar a mobilidade mais fluída, deve-se diversificar a matriz de transportes nacional, sendo dada maior atenção ao modal ferroviário no que se refere ao transporte de cargas. Ademais, no que se refere ao transporte de pessoas, é preciso incentivar o uso de transportes públicos e coletivos, para tanto, o governo deve aumentar a circulação e melhorar a estrutura física de tais veículos, além de criar vias únicas para ônibus, facilitando o seu deslocamento. Por fim, como uma medida capaz de garantir segurança aos ciclistas e, por consequência, de aumentar o número deles, destaca-se a construção de ciclovias.