Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 25/06/2018
É de conhecimento geral que, atualmente, a mobilidade urbana é um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. É mediante tal questão que a acessibilidade das pessoas é reprimida. Nesse contexto, é indispensável salientar que os incentivos fiscais governamentais estão entre as causas da problemática, haja vista a redução dos impostos sobre os produtos industrializados (IPI) - sobretudo para automóveis. Diante disso, vale discutir a administração pública para com o sistema viário do país e a importância da implementação de transportes alternativos para a fluidez do trânsito, bem como a atuação do Estado de modo a tentar solucionar tal impasse.
Em primeiro plano, analisa-se que a mobilidade urbana no Brasil está defasada. Desde o final da década de 1950, a partir da mecanização da produção, o estímulo à compra de meios de transportes individuais se tornou o fator primordial para a manutenção do sistema capitalista no país. Em razão disso, o número de automóveis cresceu exponencialmente, enquanto a malha rodoviária brasileira não conseguiu acompanhar esse ritmo de crescimento. Seguindo essa linha de raciocínio, o sociólogo Roberto DaMatta sustenta a ideia de que aliada a esses problemas supracitados, a baixa qualidade dos meios de transportes públicos corrobora para a continuação do caos urbano - engarrafamento, lentidão, estresse e acidentes nas rodovias. De maneira análoga, é possível perceber que, por falta de administração e de fiscalização governamental, a proteção à mobilidade das pessoas não é firmada.
Outro ponto em destaque nessa temática é a relevância do uso de meios de transportes alternativos no cenário citadino. Um exemplo que ratifica essa ideia está presente na cidade de Copenhague, na Dinamarca, onde os modais de locomoção são integrados, de maneira que as rotas de metrô, as ciclovias, as rodovias e as hidrovias cobrem toda a cidade. Enquanto isso, nos grandes centros urbanos brasileiros, a priorização por veículos individuais - em especial carros e motos - é aguda. Nesse contexto, estudos da revista Science indicam que se as cidades de São Paulo e Belo Horizonte não substituírem parcialmente seus modais de locomoção, a poluição atmosférica irá se agravar. Sendo assim, surge a necessidade de revisar o papel do governo frente a essa problemática.
Fica evidente, portanto, que a mobilidade urbana no Brasil está obsoleta. Para tentar solucionar esse impasse, o Ministério dos Transportes deve investir na qualidade dos modais públicos, de forma a manter os ônibus limpos e em bom estado de conservação. Além disso, é necessário a ampliação das ciclovias, com o objetivo de estabelecer conexão entre todos os pontos da cidade. Com isso, estima-se que os carros e as motos sejam gradualmente substituídos pelos ônibus e pelas bicicletas. Por tais medidas, o Brasil construirá caminhos seguros para a mobilidade urbana.