Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 11/06/2024

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948 , defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da inclusão de pessoas com autismo. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de informação e da falta de empatia.

Dessa forma, em primeira análise, a falta de informação é um desafio presente no

problema. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da

invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um problema

instaurado na questão dos ensinamentos sobre pessoas autistas, visto que muitas vezes não há interesse das outras pessoas de pesquisarem sobre o assunto, o que contribui com a disseminação de falsas afirmações sobre o transtorno do espectro autista (TEA) que não possuem fundamento profissional. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.

Além disso, a exclusão de pessoas autistas encontra terra fértil na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da inclusão dessas pessoas funciona como um forte impecilho para sua resolução e como consequência se reflete na dificuldade de autistas ingressarem no mercado de trabalho, criarem vínculos sociais ou serem representadas mais vezes na mídia.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos Ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre os desafios de inclusão de pessoas com autismo e atingir um público maior. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hannah Arendt: ’’ A pluralidade é a lei da Terra".