Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/08/2023

A série “ Uma Advogada extraordinária”, disponível na plataforma “Netflix”, retrata a entrada de uma jovem autista recém formada em direito no mercado de trabalho, que apesar de graduada com ótimas notas e em uma das melhores universidades da Coréia do Sul é subestimada por seus colegas de trabalho. Analogamente, a realidade vivida pela jovem assemelha-se à de muitos pertencentes ao espectro autista no Brasil, os quais são excluídos e discriminados em seus ambientes sociais. Tal realidade, deriva não só do capacitismo e da ignorância, como também do despreparo na abordagem educacional.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o capacitismo, discriminação de pessoas com deficiência, configura-se como um dos desafio na inclusão de pessoas autistas. Esparta, uma das principais cidades gregas do período clássico, é um exemplo da presença do capacitismo desde as mais antigas sociedades, onde crianças que nasciam com características consideradas incapacitantes eram jogadas de penhascos. Sendo assim, esse tipo de preconceito está enraizado desde muito tempo nas civilizações humanas. A ignorância é o motor dessa ideia retrograda, visto que perpetua o pensamento de que o autista é incapaz ter autonomia.

Ademais, é imperativo ressaltar que a ausência de uma abordagem educacional inclusiva no Brasil é um entrave no que tange à inclusão de pessoas autistas. A Constituição Federal garante o Atendimento Educacional Especializado (AEE) aos alunos com deficiência. No entanto, o que se verifica na realidade é a carência de investimentos básicos na educação e a desvalorização dos profissionais. Logo, com a falta de ferramentas adequadas para estimular o aprendizado e a comunicação, os autistas têm seu desenvolvimento comprometido, o que os leva a um isolamento desde os primeiros anos de vida.

Portanto, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Assim, necessita-se que o ministério da educação crie campanhas educacionais com o auxilio da mídia, por meio de entrevistas com especialistas e autistas, a fim de reduzir a ignorância quanto ao tema. Tais campanhas, devem,ainda, abrangir as redes sociais (facebook ,instgram), e as escolas. Paralelamente o investimento na educação inclusiva dos autistas faz-se mister, visto que sua ausência os deixa vúlneraveis a exclusão.