Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/10/2022

Na série norte-americana “Atypical”, retrata-se o cotidiano de Sam, personagem que convive com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), e apesar das limitações e estigmas causados por essa condição, isso não o impede de viver e ir atrás de sua independência pessoal. De maneira análoga, sabe-se que no Brasil cerca de 2% da população porta desta síndrome, no entanto, sofrem entraves para serem incluídos em diversos âmbitos sociais. Sendo assim, urge analisar o preconceito e a negligência estatal como elementos propulsores do revés.

Diante desse cenário, é oportuno examinar a discriminação e seu efeito na problemática. Segundo o sociólogo francês Pierre Bordieu, “a violência aos direitos humanos está, sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam contra um grupo social”. Posto isso, é notável que os indivíduos acometidos pelo TEA ficam à margem da sociedade e não possuem as mesmas garantias de inclusão, visto que o autismo e seus diferentes graus de transtorno são tratados com uma visão capacitista, inviabilizando-os de serem inseridos e mantidos no meio social.

Ademais, a ausência governamental é um fator coadjuvante do tema. De acordo com a Lei da Inércia proposta por Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, nota-se que a pouca atuação estatal colabora para a não resolução do impasse, haja vista a falta de comprometimento perante as legislações que tratam dos direitos autistas, dificultando o papel dessa parcela na coletividade.

Portanto, é inaceitável que haja a permanência de desafios quanto a integração do público autista no Brasil. Logo, cabe ao governo federal, garantir por meio das leis a visibilidade dos indivíduos portadores do espectro, criando programas sociais de tratamento profissional médico e pisco-pedagógicos, com o fito de garantir o acompanhamento necessário para cada caso individual, introduzindo-os com suas particularidades na sociedade brasileira hodierna.