Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 24/10/2022
A série “Atypical” retrata a vida de um jovem dentro do espectro autista, mostrando os desafios que ele enfrenta no cotidiano, dentre eles a dificuldade de se inserir no corpo social. Fora das telas, portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA) também lidam com esses desafios. Dessa forma, é possível inferir que a inclusão de pessoas com autismo no Brasil é dificultada pelo preconceito dos cidadãos neurotípicos e pelas barreiras encontradas no mercado de trabalho e nas intituições de ensino.
Em primeiro plano, a discriminação da população corrobora para a manutenção desse cenário e para a criação de mais obstáculos para os neurodivergentes. Além de lidarem com as adversidades sociais impostas pelo próprio transtorno, essas pessoas precisam conviver com a discriminação e os mitos ocasionados pela desinformação da sociedade, como acreditar que um portador de TEA será sempre dependente dos responsáveis ou que eles não têm capacidade de desempenhar as mesmas tarefas que os neurotípicos desempenham. De tal modo, se o preconceito não for combatido a inclusão não será possível.
Por conseguinte, surgem barreiras na inserção das pessoas com autismo em escolas e no trabalho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 85% dos cidadãos dentro do espectro estão fora do mercado de trabalho, principalmente pela falta de informação que gera o preconceito do empregador com essa parcela da população. Já no âmbito escolar, apesar do número de crianças com o transtorno matriculadas ter aumentado, muitas ainda não vão à escola. Isso ocorre, principalmente pelo preconceito da escola em receber esses alunos e da falta de preparo para ensiná-los.
Em suma, é possível perceber que a discriminação é a base dos desafios na inclusão de portadores de TEA e, por isso, deve ser combatido. Assim, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, promova eventos com palestras de neurologistas e psiquiatras e conversas com pessoas com autismo, a fim de informar a população sobre o transtorno e esclarecer dúvidas que a população neurotípica tenha sobre o assunto. Dessa maneira, o preconceito será mitigado e a inclusão dos cidadãos com TEA será plena.