Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 20/10/2022

A série televisiva “Atypical” relata o cotidiano de um adolescente portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) que tem uma vida comum, e permite que seus espectadores conheçam melhor a sua condição. Entretanto, apesar de a série ser um importante avanço para a inclusão e a representatividade das pessoas com autismo, a sociedade brasileira ainda esta longe de ser inclusiva com tal grupo social. Com efeito, deve-se combater a subdiagnostificação do trantorno e garantir que pessoas autistas conheçam e tenham acesso aos seus direitos.

Nesse sentido, enquanto o diagnóstico falho de pessoas autistas for regra, a inclusão desse grupo social será exceção. Acerca disso, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) divulgou que, em 2004, uma em cada 166 pessoas eram portadoras de autismo, e que, em 2021, esse número subiu para uma em cada 44 pessoas. Esse aumento se deve, majoritariamente, em razão do subdiagnóstico desse transtorno, e isso dificulta a inclusão social de pessoas com autismo, já que muitos portadores dessa condição sequer sabem que a portam.

Outrossim, há de se combater a desinformação para que o Brasil seja, de fato, uma sociedade inclusiva. Isso porque, em 2020, foi promulgada a Lei Romeo Mion, que criou a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtono do Espectro Autista (Ciptea), que permite que indivíduos autistas provem a sua condição e usufruam de seus direitos e sejam inclusos na sociedade. No entanto, o Estado é ineficaz na divulgação dessa lei, o que cria barreiras para a inclusão desse grupo social, pois os portadores dessa condição que não conhecem a lei enfrentam dificuldades em comprovar que são autistas, e se veêm impedidos de exercer seus direitos.

Medidas são, portanto, necessárias para mitigar o impasse. O Governo Federal, em parceria com ONGs que trabalham com o TEA, deve promover, por meio de campanhas em rede televisiva nacional, a divulgação dos sintomas e do tratamento do transtorno em questão, assim como da lei Romeo Mion. Tal medida contaria com debates e discussões sobre tais tópicos com profissionais das ONGs, direcionados para todas as faixas etárias, com o uso de uma linguagem de fácil entendimento. Espera-se, com essa ação, que a subdiagnostificação dos casos de autismo e a desinformação sejam combatidos, e que haja a inclusão do grupo social em questão.