Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/09/2022
Na série “Black Mirror” cria-se uma tecnologia capaz de deixar alguém invisível aos olhos dos outros, sendo utilizada para excluir certos grupos sociais. Ao se comparar com a realidade brasileira, nota-se uma invisibilidade das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ao convívio social. Essa segregação ocorre tanto pelo desconhecimento do transtorno, quanto pelo preconceito.
Primordialmente, deve-se analisar que a falta de conhecimento de grande parte da população se dá pela recente inclusão da síndrome à Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, sendo somente em 1993, segundo a própria instituição, assim contribuindo para o estigma social. No mais, dificulta o diagnóstico de pessoas portadoras, pois, o investimento em pesquisas científicas tende a ser menor.
Ademais, somado ao cenário da desinformação, o preconceito por parte de diversas pesssoas que creem que o autismo é contagioso, que pessoa autistas deveriam viver isoladas ou que exista alguma predisposição ao surgimento do transtorno, além de desumanizar os portadores do espectro, é uma violação à lei n° 12.764, que garante atenção às necessidades de saúde da pessoa com TEA.
É fundamental, portanto, que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, incentive pesquisas acerca do tema através de bolsas de pesquisa destinadas as instituções públicas de ensino, com o objetivo de se obter mais conhecimento sobre o espectro autista, além de fortalecer o ensino público. Outrossim, ao Ministério das Comunicações, destinar verbas para os veículos midiáticos para a criação de propagandas informativas, no intuito de disseminar informações sobre a síndrome para a população. Desse modo, será possível incluir as pessoas atípicas na esfera social, além de diminuir o preconceito sofrido pelos mesmos.