Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 26/09/2022
A múscia “Que país é esse”, escrita a mais de 30 anos pela Legião Urbana, relata as contradições sociais presentes no Brasil daquele período e faz indagações sobre o futuro da nação. Todavia, esse cenário contraditório ainda persiste no país, uma vez que a sociedade ainda enfrenta barreiras para efetivar a inclusão de pessoas do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesse sentido, urge reconhecer a desinformação e a inércia estatal como mantenedoras desse quadro deletério.
Sob esse viés, a falta de informações atua como catalisadora do óbice. Por isso, a escritora brasileira Djamila Ribeiro faz uma severa critíca a invisibilidade social, no que se refere a obscuridade na forma de tratar determinados problemas socias. Nessa lógica, ao passo que o TEA é pouco difundido socialmente, ele fica marginalizado, impede que mais pessoas possam ser diagnosticadas e recebam a devida atenção no tratamento dessa patologia. Decerto, esse desconhecimento agrava a situação, pois gera preconceitos e não permite que o TEA torne-se uma pauta coletiva. Desse modo, é preciso um incremento na publicidade dos aspectos e impactos que cercam a vida dos sujeitos autistas dentro do corpo social.
Ademais, outro agravante é a negligência governamental para dispor de ações e
mecanismos que auxiliem nas intervenções necessárias aos autistas. Posto isso, vale ressaltar o pensamento hobbesiano: “o Estado tem o papel de garantir o bem-estar social”, porém não é essa a realidade brasileira. Sendo assim, a falta de profissionais especializados no Sistema Único de Saúde (SUS), como pscicólogos e terapeutas ocupacionais, evidencia um descumprimento aos preceitos de Hobbes. Logo, essa inércia gera vários desconfortos familiares, pois os pacientes não desenvolvem suas habilidades básicas, tornando-os depedentes exclusivos dos pais e, assim, prejudicam o retorno deles ao mercado de trabalho.
Depreende-se, portanto, a necessidade de transpor esses obstáculos. Para isso, o Ministério da Saúde, responsável pelas políticas de saúde pública, deve lançar uma campanha midiática, por meio de inserções publicitárias na televisão e nas redes sociais, com o intuido de facilitar o reconhecimento do TEA na coletividade. Além disso, esse órgão deve dispor de equipes multidisciplinares em todos os municípios para atender ao público autista com eficiência e dignidade humana.