Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 01/09/2022

A série Atypical, acompanha a vida diária de um jovem diagnosticado com autismo. Nesse sentido, a história ultrapassa as fronteiras da ficção uma vez que tanto na televisão quanto na vida real, portadores de autismo encontram obstáculos na realização de atividades do cotidiano. Essa dificuldade é fruto principalmente da estigmatização da doença e da inércia do Estado.

Preliminarmente, é preciso compreender que a desinformação é um dos principais obstáculos para a cidadania plena da população autista. Em uma sociedade como a brasileira, a busca incessante por lucro associa o valor do indivíduo à sua produtividade. Assim, portadores de doenças físicas e mentais por não se encaixarem nos parâmetros de alto desempenho capitalista, são vistos como algo a ser descartado. Como consequência essa minoria é silenciada e tem sua identidade criada a partir de estereótipos. Tal comportamento é extremamnete nocivo pois cria um imaginário coletivo marcado pelo preconceito dificultando o diagnóstico e o tratamento da doença.

Ademais, como reflexo da desvalorização da população austista é formado um Estado inerte em relação às necessidades desse grupo. Assim, apesar de haver leis que garantam direitos, como a lei Romeu Mion, que assegura prioridade de atendimento e acesso a serviços, ela é constantemente violada. Isso acontece, pois fruto de uma crença que desumaniza portadores de autismo, há uma incapacidade de vê-los como pessoas com desejos e necessidades. Assim, instituições que deveriam prestar apoio e amparar são regidas pela falta de empatia, não havendo preocupação com o cumprimento e desenvolvimento de projetos que garantam a cidadania da população autista.

Desse modo, para que as pessoas com autismo sejam incluídas na sociedade é necessária a ação da sociedade civil. Estudantes das áreas de saúde devem organizar atividades nas escolas que reconstruam o autismo sob uma ótica mais inclusiva. Assim, através de cidadãos mais conscientes será possível reivindicar uma postura mais ativa do governo com a criação de unidades de saúde especializadas que contarão com atuação de uma equipe multidisciplinar. Só assim o cotidiano dos portadores de TEA contará com cada vez menos obstáculos.