Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 08/10/2022

Na produção televisiva “Atypical”, é retratado a realidade de Sam, um garoto com espectro autista que está em busca de sua independência. Ao longo da trama, a narrativa expõe as dificuldades encontradas pelo menino para se enquadrar socialmente, lidando não só com sua condição, mas também com bullyings e discriminação. Analogamente, na sociedade brasileira atual, assim como na ficção, é evidente a existência de desafios na inclusão de pessoas com autismo, principalmente devido a estigmatização, como também a falta de politicas públicas.

Em primeira análise, o pensamento capacitista dos brasileiros, que gera o estigma social, é um dos principais responsáveis pela falta de inclusão dos cidadãos atípicos. Sob este viés, a população desinformada categoriza os portadores de necessidades especiais como incapazes e doentes, assim, são desclassificados na hora de procurarem empregos. Desse modo, segundo dados do portal G1, aproximadamente 83% dos autistas estão fora do mercado de trabalho. Essa condição, os exclui do convívio social e da oportunidade de coletivização.

Ademais, vale ressaltar as ecassez de ações públicas. Dessa forma, apesar de exista leis que beneficiem os autistas, como a aprovada só em 2012, que garante os direitos básicos aos portadores do espectro, não há nenhuma medida do governo para garantir a manutenção desses benefícios essenciais. Logo, essa falta de proteção estatal se enquadraria para o filósofo e contratualista Locke como uma quebra do contrato social, e dessa forma, o governo não está cumprindo seu papel de forma efetiva.

Portanto, é necessário que o governo, juntamente com ONGs voltadas para o espectro autista como a Associação Casazul, promova palestras que busquem informar a população sobre as condições dessas pessoas com deficiência. Por meio de canais midiáticos como Facebook e Instagram, em que influênciadores e artistas autistas tenham espaço para falar sobre sua condição e servir de exemplo para população como forma de normalizar o autismo. Para que assim, o estigma seja combatido e a inclusão se torne mais fácil. Somente assim, será possivel alcançar a equidade.