Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/10/2021

A declaração universal dos direitos humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente ao contrário, quanto a questão da inclusão de pessoas com autismo. Nesse contexto, percebe-se uma configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da negligência do poder público e da falta de mobilização social.

Em primeiro plano, é preciso destacar a negligência do poder público como óbice nessa problemática. Segundo o filósofo Èmile Durkheim " a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico, no qual se um órgão não opera de maneira adequada toda sociedade entra em desequilíbrio e desordem". Nessa perspectiva, é evidente que o Estado não está operando de forma adequada para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil, o que resulta em maior ocorrência dos casos de preconceito e discriminação. A falta de ação do poder público para promover a inserção de pessoas com autismo dentro do mercado de trabalho, escolas e espaços públicos corrobora com o preconceito, discriminação e para uma sociedade desequilibrada e desordenada como dito pelo filósofo Èmile Durkheim. Dessa maneira, é fundamental à alteração desse quadro de negligência do poder público para evitar maiores riscos futuros.

Além disso, a ausência de mobilização social é outro fator agravante da situação. Essa realidade é identificada na elaboração da tese “Subcidadania” escrita pelo sociólogo Jessé Sousa, que denúncia o fato da sociedade tratar com indiferença a situação de vulnerabilidade social que vive os mais pobres. Nesse sentido, é evidente que a questão da inclusão de pessoas com autismo carece de mobilização social, vindas principalmente daqueles que tratam com indiferença essa problemática. Somente assim, a voz da população carente será ouvida pelo Estado, que deve buscar medidas para combter a carência de pessoas com autismo nas diversas áreas do corpo social que vem causando problemas como baixa participação em locais públicos, privados e escolas.

Entende-se, portanto, que a inclusão de pessoas com autismo no Brasil são circunstâncias nocivas carecedoras de solução. Sendo assim, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão de fundamental importância no desenvolvimento social do país, colaborar com a entrada de pessoas autistas no mercado de trabalho, escolas e faculdades por meio de  políticas públicas, cotas e leis de inclusão social, a fim de promover a inclusão, o bem estar e uma sociedade justa. Sendo assim, possível garantir que todas as pessoas tenham acesso aos direitos previstos na Constituição Federal.