Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 23/10/2021
O livro “Passarinha”, da autora Kathryn Erskine, conta a história de Caitlin, uma menina de 10 anos com transtorno do espectro autista (TEA). Ao decorrer do livro, Caitlin tem dificuldade para interagir com as pessoas ao seu redor, por isso muitas vezes ela não se sente compreendida e prefere ficar na companhia de seus livros e dicionários. Fora da ficção, esse sentimeto de incompreenção afeta milhares de brasileiros. Nesse sentido, é evidente que a padronização e a falta de estrutura adequada gera um panorama de exclusão que deve ser combatido.
Em primeiro lugar, observa-se uma dificuldade de aceitar o diferente na sociedade que vai além da desinformação. Nessa ótica, é importante entender o termo Indústria cultural, desenvolvido por Max Horkheimer e Theodor Adorno. Na lógica capitalista, com o intuito de maximizar os lucros, principalmente de elementos culturais, como filmes e músicas, procura-se a padronização, objetivando atingir a massa, ou seja, o maior número de pessoas possíveis. Com o autismo, não é diferente, devido ao mundo atual, altamente padronizado, tem-se a tendência de padronizar também as pessoas. Esse comportamento eventualmente gera exclusão social, visto a pluralidade de características do ser humano.
Em segundo lugar, a falta de estrutura adequada para o atendimento de pessoas com TEA é notória. Um exemplo claro, são as aglomerações em transportes públicos, que podem acarretar um imenso desconforto em quem possui esse transtorno. Desse modo, identifica-se, claramente, a falha da Constituição Federal no que diz respeito ao asseguramento do direito à cidadania, isto é, o direito de se viver decentemente. Essa falha é evidenciada tanto pela falta de estrutura, quanto pelo tratamento preconceituoso e estigmatizado que autistas podem vir a receber. Esses fatores podem aumentar a tendência deles de sofrer com depressão, ansiedade e crises de pânico. Dessa maneira, observa-se a descaracterização do exercício da cidadania, ferindo os direitos humanos.
Depreende-se, portanto, que a consciência da existência do autismo já existe, faz-se necessário agora, ações concretas para mitigar a exclusão social sofrida por essas pessoas. Destarte, urge que o Ministério da Saúde implemente ações afirmativas visando o combate a descriminação e o incentivo a participação das minorias na vida em sociedade, Isso pode ser feito por meio de debates educacionais nas escolas, propagandas, conteúdos em plataformas online etc. Só assim será possível que pessoas com autismo usufruam igualmente de seus direitos e que situações como a de Caitlin não se repitam.