Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/10/2021

Na novela “Malhação: Viva a diferença”, a personagem Benê é portadora da Síndrome de Aspenger, um transtorno do espectro autista que interfere principalmente na socialização. No entanto, a novela mostra que o Aspenger é apenas uma característica que não a impede de formar relacionamentos sólidos, trabalhar ou estudar com eficiência. Fora da ficção, Benê é um exemplo da inclusão de indivíduos com autismo. Todavia, mesmo com melhorias, tais indivíduos ainda passam por inúmeros desafios no Brasil, dentre eles a negligência estatal e o preconceito.

Convém ressaltar, a princípio, o despreparo governamental na inserção de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Nesse sentido, na antiguidade clássica romana, pessoas com deficiência ou algum tipo de transtorno era excluídas ou até mesmo abandonadas, colocando em risco sua própria sobrevivência. Trazendo para a contemporaneidade, as atrocidades cometidas na Roma, felizmente, foram em boa parte superadas. Contudo, ainda prevalece a exclusão, ocasionada pela falta de assistência governamental, o que dificulta o diagnóstico, atendimento e tratamento de pessoas com TEA, uma vez que para a existência da inclusão é preciso o entendimento, cuidado e atenção para que sujeitos autistas possam desfrutar de qualidade de vida.

Ademais, é vital salientar o preconceito como empecilho para a participação social de indivíduos com autismo. Sob tal ótica, o apresentador Marcos Mion, pai de Romeo, um rapaz autista, é um exemplo de como combater o preconceito, influenciando seu filho a desenvolver suas habilidades, interagir socialmente e não ter vergonha de ser quem ele é. Nesse viés, Mion colabora para a superação de ideias preconcebidas e deturpadas sobre o autismo. Tais ideias dificultam a inclusão no mercado de trabalho, nas escolas e no estabelecimento de relacionamentos saudáveis, como amizades, por exemplo.

Portanto, são necessárias medidas que atenuem os desafios para a inclusão de indivíduos com TEA. Nesse panorama, o Ministério da Saúde deve estabelecer uma assistência adequada aos autistas, por meio da criação de projetos que enviem verbas aos municípios para que possam fornecer diagnóstico, atendimento e tratamento satisfatórios, além de promover encontros e debates nas comunidades. Além disso, a mídia deve superar o preconceito por intermédio da criação de campanhas nos meios de comunicação, em especial nos horários de maior audiência e engajamento, a fim de informar a população sobre o que de fato é o autismo e de como é possível ter uma vida normal e saudável, para que ideias preconcebidas sejam superadas.