Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 22/10/2021

A obra o Alienista, de Machado de Assis, narra a história de um psiquiatra que considera todas as pessoas de seu convívio loucas e as prende na Casa Verde, o hospício. Da mesma forma, na sociedade, julgamentos e preconceitos infundados e rasos se assemelham a atitude do médico da obra machadiana, o que gera exclusão para muitas pessoas com síndromes mentais. Assim, cabe analisar o pensamento individualista da sociedade e a omissão estatal como desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Sob esse viés, nota-se que a falta de empatia nas relações sociais influencia na exclusão das pessoas com síndrome do espectro autista. Acerca disso, o termo isnomia, do filósofo grego Aristóteles, diz respeito à necessidade de se adequar às diferenças do próximo para garantir um tratamento mais justo. Contudo, as atitudes individualistas da sociedade brasileira contemporânea se afastam da ideia proposta por Aristóteles, o que gera preconceitos e aversão à urgência de inclusão dos autistas. Dessa maneira, quando as pessoas não se esforçam para enxergar as diferenças do outro por intermédio da empatia, a exclusão dos autistas se torna evidente, o que é inaceitável.

Ademais, a ineficiência governamental no que concerne à garantia de direitos é um desafio que impede a inclusão de pessoas autistas. Sobre esse ponto, na década de 1980, com a criação do Sistema Único de Saúde, o conceito de saúde foi ampliado para qualidade de vida, o que engloba todos os aspectos físicos sociais da vida humana. Nessa perspectiva, é fato que o Estado não cumpre com o conceito proposto pelo SUS, já que esse não combate o preconceito sofrido pelas pessoas com síndromes comportamentais, o que impede a qualidade de vida deles. Logo, é urgente que o governo do Brasil interfira nas relações sociais para impedir a exclusão de pessoas autistas e garantir seus direitos.

Portanto, para que os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil sejam extintos, o Estado brasileiro deve agir. Por isso, o Ministério da Educação deve criar um módulo de aula em Sociologia que estude a necessidade de adequação às diferenças dos autistas. Isso deve ser feito por meio de debates e palestras, com a participação de pessoas portadoras da síndrome e psicólogos, para que esses sejam ouvidos e acolhidos e aqueles ensinem a melhor forma de incluir pessoas com autismo. Essa ação deve ser tomada a fim de que a sociedade tenha atitudes menos individualistas e o governo promova qualidade de vida para as pessoas com síndrome do espectro autista. Por fim, com essa ação a inclusão será efetiva e o pensamento do alienista não será propagado.