Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 17/10/2021
Na série estadunidense “Atypical”, estrelada por Robia Rashid, é retratada a vida de Sam Gardner, um rapaz de dezoito anos diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista. Devido à esta condição, os desafios presentes na adolescência se tornam ainda mais complicados para Sam. Assim como na obra cinematográfica abordada, observa-se que na atual conjuntura brasileira, essa é uma problemática que urge atenção. Dessa forma, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam esse estigma, a citar, a ausência de conhecimento sobre o assunto e a falta de políticas públicas, no sentido de desbancar tais bases prejudiciais.
Em primeira análise, é importante destacar que a escassez de informações e conteúdos congruentes a respeito da problemática na formação educacional brasileira é um fator que colabora com a exclusão do autista nos diversos ambientes sociais. Ainda, dentro dos três diferentes níveis do transtorno, cada indivíduo pode ser acometido por diferentes comportamentos, alguns, facilmente, notados, porém outros ainda podem passar despercebidos. Visto isso, o cidadão que não conhece, minimamente, sobre o transtorno, tenderá a criar suposições erradas e tendo ações equivocadas. Logo, a ignorância e o preconceito prevalecem.
Ademais, em segundo plano, a Constituição federal, promulgada em 1988, em seu artigo 196, declara que a saúde é um direito de todos e dever do Estado garantido. Contudo, a falta de diagnósticos precisos, acesso aos profissionais especializados e tratamentos mostram que este direito encontra-se deturbado no país. Nesse sentido, é possível perceber que esta parcela da população, a qual urge de amparo do governo e da sociedade, enfrentam diversas dificuldades, o que infelizmente fere a dignidade humana.
Portanto, visando mitigar os entraves da resolução da problemática, algumas medidas cabíveis se fazem necessárias. Para tanto, o Ministério da Educação, junto ao Ministério da Saúde, devem criar e inserir um novo tópico na Base Nacional Comum Curricular, este deve tornar obrigatório disciplinas que tragam discussões à cerca do Transtorno do Espectro Autista. Para tal, os cursos de Licenciaturas também deverão criar disciplinas que abordem o tema, bem como colocar os profissionais em situações reais, dessa forma, poderão discutir e aprender formas de inserir esses alunos no âmbito escolar. Já o Ministério da Saúde, deverá criar conteúdos midiáticos que tragam informações precisas sobre o transtorno, bem como aumentar o número de profissionais habilitados e encorajar a populução a procurar diagnóstico e tratamento.